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INVENÇÃO DE EURÍDICE - Parte III
IRACEMA MACEDO – Parte III
Para finalizar, vou colocar um dos poemas do “Invenção de Eurídice”, só para dar um gostinho e a vontade de se ter a obra toda.
A FUGA DE IO (para Linda Nemer)
Eu vinha tonta de mar
e desagüei aqui
entre varandas estreitas
e pontes de suicidas
Cheguei depois do ouro dos poetas
Bebo no cano de ferro do chafariz
Vim para amar o que ficou
sabendo que são restos
Eu vinha encandeada pelo sol
e desagüei aqui
porque a dor não escolhe
a escuridão com que vai se cobrir.
(Iracema Macedo, in “Invenção de Eurídice”, Rio de Janeiro: Ed. da Palavra, 2004)
Nesse poema a autora parece explicar o porquê de estar vivendo hoje em Ouro Preto, Minas Gerais. Uma outra razão talvez seja a de ir beber os ares e degustar a paisagem e a ambientação mineira reveladas na poesia de Adélia Prado, admirada por Iracema Macedo.
“Mas ser bardo é uma beleza tão forte
que eu lanço âncoras em nuvens
e não desarvoro.”
(Iracema Macedo, in “O cavalo caiu de mim”, versos finais do poema “Candeia”, 1991)
Escrito por José de Castro às 15h54
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INVENÇÃO DE EURÍDICE - Parte II
IRACEMA MACEDO – Parte II
No ano de 2000 Iracema Macedo faz a sua estréia-solo com o livro “Lance de Dardos”, que reúne poemas de obras anteriores. E agora, em 2004, lança também individualmente o “Invenção de Eurídice”.
Com a licença da Iracema, vou brindar o leitor com dois dos seus poemas do meu arquivo secreto, de 1991, creio que inéditos.
FACA
Hoje aconteceu que as horas ficaram duras
como estão há anos
prontas pra nenhuma espera
Me deu vontade de ficar bruta
de acender coisas
de mexer nos mundos.
Além de unhas e dentes
estou quase criando gumes
Hoje não é a palavra
é gesto pontudo como farpa
é vontade louca de ser faca.
(Iracema Macedo, 1991)
DISPARIDADE
Me impressiona o corpo listrado das abelhas
o vastíssimo mundo das formigas
que para mim não é mais que dois passos, dois instantes
Me impressiona o meu pouco poder de louvar
o pouco poder de crescer e ser fácil
e ser fiel ao meu corpo
à minha alegria, ao encanto
Me impressiona uma rã tão poderosa e fria
e essa mão tão fraca e sem milagres que é a minha.
(Iracema Macedo, 1991) - (continua...)
Escrito por José de Castro às 15h51
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INVENÇÃO DE EURÍDICE - Parte I
IRACEMA MACEDO - Parte I
Somente hoje, consegui o último livro da Iracema Macedo, o belo “Invenção de Eurídice” (Rio de Janeiro: Ed. da Palavra, 2004). No dia do lançamento aqui em Natal/RN eu estava em Juazeiro-BA, ministrando um curso.
Esta obra, que traz na orelha Affonso Romano de Sant’Anna, confirma o talento da poetisa, mostrando um amadurecimento expressivo que, cada vez mais, refina o poder de síntese e exibe uma rara sensibilidade no trato com as palavras.
Conheço Iracema há algum tempo. Lembro-me que no ano de 1991, por ocasião do meu aniversário, ela chegou aqui em casa com uma pasta-arquivo preta contendo uns 39 poemas, datilografados, com o título: “O cavalo caiu de mim”. Fez uma dedicatória singela, à grafite, que dizia assim: “Querido Zé: um pouco da minha possibilidade de beleza e feiúra, um pouco do meu tempo para o tempo dos teus anos. Feliz aniversário. Beijos, Iracema.” Essa pasta é uma relíquia que venho guardando ao longo desses 13 anos.
Creio que muitos desses poemas continuam inéditos, sendo que alguns aparecem no “Vale Feliz”, lançado por ela em conjunto com André Vesne, Boaventura Jr e Elí Celso, no mesmo ano de 1991. A esse, seguiram-se “Gravuras” (1995) e o “Ceia das Cinzas” (1998), junto com os mesmos autores da primeira obra, excetuado o poeta Boaventura Jr.
(continua...)
Escrito por José de Castro às 15h38
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PARA CECÍLIA MEIRELES
BRILHO DE PRATA
O teu brilho de estrela intacta
me aquece a alma por dentro
e me alcança na tarde de prata.
Ah! pudesse eu hoje refletir
um pouco apenas da tua luz
seria o bastante para seguir
o destino que morde em segredo
as tramas que sempre desconheço,
de incertezas, de sustos e de medo.
Ah! o teu brilho de prata...
(escrito por José de Castro em 11-03-2000)
Escrito por José de Castro às 09h37
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MÁXIMAS DE HUMOR
PIXELS II
Beleza não põe mesa, mas enfeita muito mais a cama.
-x-x-x-x-
Brincar de médico é uma tara que a medicina continua praticando mesmo depois de adulta.
-x-x-x-x-
A pobreza não envergonha ninguém. Mas atrapalha um bocado na hora das compras.
-x-x-x-x-
Pratique o futuro hoje. Amanhã ele pode não existir.
-x-x-x-x-
Filme nós temos. Virgem está em falta.
-x-x-x-x-
Inventou a patente, mas esqueceu-se de registrá-la.
-x-x-x-x-
Lembra-te que és pó. Portanto, cuidado com o espanador.
(Frases de José de Castro, publicadas na revista BUNDAS, Ano 1, nº 9 – 10 a 16/08/1999 e no livro Quem brinca em serviço, Edições Sebo Vermelho, Natal/RN, 2003)
Escrito por José de Castro às 09h29
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POT-POURRI
CALEIDOSCÓPIO MUSICAL
Hoje eu acordei com saudades de você não está entendendo nada do que eu digo pra que mentir se tu ainda não tens esse dom Juan, ah! esse cara tem me larga me deixa pra lá, vem pra cá, o que que tem a noite do meu bem que se quis, depois de tudo você é tudo sou errante navegante, navegar é preciso viver é pior que sonhar eu sei que o amor é meu país, como nossos pais, e o passado é uma roupa com que roupa eu vou depois de você os outros são mentiras, a jura secreta que eu não causei o beijo que eu dei nela assim o meu mundo caiu e tu pisavas distraída no meu cavalo baio cujo nome é pocotó, ai que légua mais tirana leve como o vento nordeste, cavalo do meu segredo que falava inglês e agora eu era o herói, ai como dói naquela mesa tá faltando o pensamento parece uma coisa tá qualquer coisa linda nesse mundo, como se fosse flor você sabe o que é ter um amor não chora, é hora, tudo em volta é só beleza, tristeza que vai e que vem comigo meu pedaço de universo é tarde, já vou indo, preciso ir embora, até amanhã... zunct, plact, zum... pode partir sem problema algum...
Escrito por José de Castro às 09h17
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REFLEXÕES MATINAIS
A LIÇÃO DOS PÁSSAROS
Nós temos muitas lições a aprender com os pássaros. Uma delas é a alegria que eles têm ao celebrar, a cada alvorecer, os prenúncios de um novo dia.
Assim que as primeiras claridades se insinuam, eles iniciam o seu canto alegre. Fico pensando que uma das razões para isso talvez se deva ao reconhecimento de que, mais uma vez, conseguiram driblar os seus predadores noturnos, que são muitos.
A noite traz os perigos para a sua frágil sobrevivência, pois nesse lapso de tempo o seu vôo é limitado. Têm que ter algum refúgio que os proteja, bem como aos ovos e aos filhotes no ninho.
Por isso, cada novo amanhecer se reveste de um significado especial: foram poupados por mais uma vez. Podem voar livres e se fartar dos frutos desse velho mundo, quase sem limites.
Os homens aprenderam a voar com os pássaros, inventando o avião.
Contudo, esqueceram-se de aprender com eles essa alegria da celebração cotidiana de sua existência milagrosa.
E olhe que talvez tenhamos muito mais predadores do que eles. Como já disse alguém, o homem é o lobo do homem.
E, na maioria das vezes, os nossos predadores são silenciosos, esquivos e dissimulados. E não atacam só à noite. Vivem na espreita 24 horas ininterruptas. Ás vezes nem os percebemos e nem sabemos como estão nos emboscando. Viver é sempre um perigo, um eterno desafio.
Por isso nós, mais que os pássaros, deveríamos limpar a garganta e cantar o agradecimento à existência.
Cecília Meireles foi uma grande discípula dos pássaros. Aliás, é, pois os poetas não morrem: eternizam-se em seus mágicos versos.
"Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa..."
Escrito por José de Castro às 07h48
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MÁXIMAS DE HUMOR
FALSA CULTURA
Ministro das relações exteriores é aquele diplomata que só transa fora de casa.
-x-x-x-x-
Via Láctea é aquela rua por onde trafegam leite, queijo e seus derivados.
-x-x-x-x-
O capital de giro teve origem no “trottoir”.
-x-x-x-x-
Autodidata é aquele carro que não precisa de motorista.
-x-x-x-x-
Gabriela era aquela personagem que tinha um cravo na canela.
-x-x-x-x-
(José de Castro in Quem brinca em serviço, Natal-RN: Edições Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 01h05
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ALEX NASCIMENTO, o escritor e humorista
Ser bem humorado é essencial. Ter a veia humorística, melhor ainda. Abaixo seguem dois textos de um escritor potiguar que curto bastante, o Alex Nascimento. Além do mais, ele escreve belos sonetos...
“Minha primeira mulher deixou-me por um médico.
Fiquei enfermo.
A segunda abandonou-me por um veterinário.
Virei um cachorro.
A terceira, bem, a terceira fugiu com um leitor.
Achei-me uma página virada.
A quarta largou-me por um virologista.
Juro, senti-me um micróbio.
Mas hoje, graças a Deus e à psicanálise, curei-me e recuperei-me por inteiro. Percebo-me absolutamente normal, completamente lúcido. A prova é que tenho notado minha quinta e atual mulher trocando certos olhares com o mecânico e isso não me abalou em nada. Ontem mesmo submeti-me a uma tomografia computadorizada e constatei que minha caixa de marcha e meus amortecedores estão ótimos.”
(Alex Nascimento, in A última estação – Natal-RN: Fundação José Augusto, 1998)
LADAINHA
Bem-aventurados os velhacos,
Porque deixam em paz na terra
O remorso e o pudor.
Bem-aventurados os mentirosos,
Porque descobriram a fórmula
Da reciprocidade.
Bem-aventurados os discriminadores,
Porque fazem a exposição instantânea de que
Ninguém é igual a ninguém perante nada.
Bem-aventurados os cínicos,
Porque são essenciais
Ao garimpo dos fariseus.
(....)
(Alex Nascimento, in Almas de Rapina – Natal-RN: Fundação José Augusto, 2001)
Escrito por José de Castro às 00h46
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LEMBRANÇAS DE MINAS
LABAREDAS DO TEMPO
Mas os tempos andam rudes
e me foge a poesia,
qual areia, por entre
o vão dos dedos.
Escapam-me os versos malandros,
correndo descalços
na poeira das lembranças.
E fica a saudade da infância
latejando no peito,
queimando esse fogo ardente,
labaredas do tempo
e distâncias de Minas,
consumidas na linha
fugidia do horizonte.
(José de Castro, in Antologia Literária – vol. 1 – SPVA/RN, Natal/RN, 1999)
Escrito por José de Castro às 00h06
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POEMINHAS JAPONESES
Eu sempre gostei de criar hai-cai, essa forma econômica de dizer as coisas. Na sua concepção original, esse poema de origem japonesa, que teve em Bashô e em Kobayashi sua expressão máxima, é composto de três versos: dois de cinco sílabas e um (o segundo) de sete.
O genial Millôr Fernandes não liga muito para essa regra, utilizando o hai-cai com rima e buscando sempre um efeito humorístico. Eu, como aprendiz e discípulo, venho fazendo o mesmo nos meus.
Tenho planos de publicar um livro só de hai-cai, ilustrados, é claro.
HAI-CAI
Pão-duro:
aprendeu Braille
pra ler no escuro.
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Abelha no céu
fabrica
lua de mel?
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Pirata sem igual:
perna de vidro,
olho de pau.
-------
Na Arca de Noé
tinha
bicho-de-pé?
-------
Quem canta
seus galos
espanta.
(José de Castro, in Antologia Literária – vol. 1 – SPVA/RN, Natal/RN, 1999)
Escrito por José de Castro às 23h56
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FRAGMENTOS POÉTICOS
FRAGMENTOS
As aranhas do tempo
tecem a prata
da espera infinita.
0-0-0-0-0
No escuro,
a gruta
ecoa o silêncio.
0-0-0-0-0
As crisálidas do tempo
amadurecem seus favos
de borboletas incertas.
0-0-0-0-0
Teus olhos são duas janelas
onde o infinito
me vem contemplar.
(José de Castro, in Antologia Literária – vol. 3 – SPVA/RN, Natal/RN, 2003)
Escrito por José de Castro às 23h34
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POEMA DA ANTOLOGIA 3 - SPVA/RN
CANTA-DORES
A dor do trabalhador
não é a dor do trabalho,
mas a dor do salário
magro.
A dor do sofredor
é dupla dor:
de sofrer
e de dor.
O lutador
luta com a dor
e, se vence,
é um vencedor.
O grito assusta a dor:
lança o teu grito
assustador.
O cantador
transforma a dor em canto
e, com o seu canto,
encanta a dor.
(José de Castro, in Antologia Literária – vol. 3 – SPVA/RN, Natal/RN, 2003)
Escrito por José de Castro às 23h31
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SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS
Para os que ainda não conhecem, em Natal existe uma Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, a SPVA/RN.
Reúne poetas de todas as idades e pessoas que têm afinidades com as artes em geral.
A SPVA já publicou três antologias literárias, nos anos de 1999, 2000 e 2003. No momento, está sendo organizada a nº 4.
Os poetas se reúnem todos os sábados, a partir das 16h30 na Capitania das Artes e a Sociedade realiza, no mesmo local, toda a última quinta-feira o sarau Estação da Lira.
É um espaço democrático, aberto a qualquer ser humano sensível que escreva poesia, prosa ou que curta o mundo literário e artístico.
Contatos: (spva_rn@hotmail.com) e (www.spva-rn4t.com)
Escrito por José de Castro às 01h20
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MÁXIMAS DE HUMOR
PIXELS
Por uma questão de hábito, a minha porção feminina em vez de se abrir continua endurecendo entre as pernas.
Tão precoce que não amadureceu. Ficou logo podre já na primeira infância.
Quem brinca em serviço tem mais horas de lazer.
Cuidado: a luz no fim do túnel pode ser o tal bonde, voltando na contramão da história.
Em terra de cego quem tem um olho está mais sujeito a ilusões de ótica.
Os jornais perseguem a verdade. Alguns o fazem até destruí-la.
No principio era o verbo. Depois veio a verba, a propina, a corrupção e tudo o mais...
Defender o arco é fácil. Eu queria ver o goleiro defendendo flechas.
(Frases de José de Castro, publicadas na revista BUNDAS, Ano 1, nº 9 – 10 a 16/08/1999 e no livro Quem brinca em serviço, Edições Sebo Vermelho, Natal/RN, 2003)
Escrito por José de Castro às 01h05
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POEMA
CONTEMPLAÇÃO
Contemplai a purificação dos corpos
transluzindo no cristal.
Contemplai o arado sulcando a terra
e o orvalho dourando a aurora.
Contemplai o tempo da espera-colheita
da semente plantada.
Contemplai o vôo das borboletas
aspirando as fragrâncias secretas das pétalas multicoloridas
e espalhando o pólen da vida.
Contemplai o silêncio fecundo da germinação.
Contemplai o broto verdoso, medrando, trincando o chão-ventre da Mãe-terra.
Contemplai o amadurecer dos frutos tenros.
Com o mesmo olhar,
contemplai o amor nascente,
bonecando feito espiga de milho
eterno, tenro, balançando ao vento nas campinas.
Contemplai o amor,
eternamente, contemplai.
Escrito por José de Castro às 00h07
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MINI-CONTO: FOME E CONSCIÊNCIA
GULODICES
Comeu primeiro as duas maçãs do rosto. Depois, a batata das pernas. Em seguida, a planta dos pés. Mas a fome ainda era imensa. Então comeu as mangas da camisa.
-Será que estou virando vegetariano, meu deus, será?
-Não. – e com essa resposta devorou os miolos da cabeça.
Com a mesma voracidade canina degustou o tronco e, antes de engolir os membros restantes, roeu nervosamente as unhas.
Mas tudo isso não aplacou a imensa fome que lhe corroia as entranhas. Então, numa fração de segundos, engoliu os intestinos grosso e delgado.
Assim, foi comendo todo o corpo: e dos lábios descarnados escorria uma baba gosmenta que a língua já devorada não podia lamber.
Come... come... come... – merda de fome!
Até hoje quem passa em frente àquela casa não entende todo aquele ranger infernal dos seiscentos diabos.
Será, por acaso, a boca cheia de dentes tentando devorar-se a si própria? Será?
Eu não tenho nenhuma teoria a respeito. Mesmo porque esse filé ao madeira e esse vinho estão espetaculares. Onde a fome?
Ora, a fome é uma abstração ideológica. Coisa que comunista inventou pra chatear a consciência dos capitalistas.
Falar nisso, você tem consciência?
-Tem??? Então me passe o palito, por favor. Ah! sim, e me traga a conta. A conta e um cafezinho.
Escrito por José de Castro às 20h04
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Três versinhos inocentes
CONJUGAÇÃO ESDRÚXULA
Eu blogo
Tu blogas
Ele broxa...
Escrito por José de Castro às 19h39
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MINI-CONTO
Na década de 70, escrevi vários mini-contos. Alguns desses consegui publicar no Suplemento Literário do "Minas Gerais" (encarte literário do Diário Oficial do Estado de Minas). Abaixo, um deles:
BANG-BANG: FOME
Achava bonito esse negócio de ser artista. Sonhava dia e noite com isso.
Morreu num duelo de metralhadoras com a polícia, numa tarde de domingo, lá nos altos de sua favela.
Não houve ninguém para chorar aquela vocação de mocinho que se acabou ainda criança.
Quem mandou escolher o enredo torto e ser mal dirigido nessa fita de vida, nesse curta-metragem de becos escuros e de revólveres luzidios?
Eu não sei. Também nem sei se poderia ter havido alguma escolha. Eu só sei é que o corpo-menino-magro, estendido no cimento frio do IML, tinha um ar sofrido. Um quê de sonho, fama e fome.
Escrito por José de Castro às 19h26
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O bar dos poetas como inspiração
O "bar dos poetas" lá da praia de Pirangi, que hoje só existe na lembrança dos que o freqüentaram, me inspirou a escrever um conto curto.
Na verdade, inspirei-me nos versos do poeta Nei Leandro de Castro: "Na estrada os trigos brotarão a esmo em flores amarelas de pão."
O mini-conto, ilustrado pelo também poeta João Baptista Campanholi, foi o CURTA-METRAGEM, escrito nos anos 70. Segue abaixo o texto. A ilustração eu fico devendo para uma próxima vez.
CURTA-METRAGEM
Chegou à cidade depois de caminhar por mais de trinta dias. Sujo, cansado e faminto. Os pés descalços emergiam trincados na boca da calça rudemente remendada.
Andou o dia inteiro, percorrendo sua fome pelas ruas, sarjetas, esquinas, praças e avenidas. O quente do asfalto era hostil como fera no cio.
Quase foi atropelado pela velocidade de um carro lustroso. As pessoas eram indiferentes e sombrias. Escuras como a noite que veio encontrá-lo mais faminto ainda. E a fome, quando bate seu cartão de ponto no estômago do homem, não é brincadeira. Que a fome não brinca em serviço.
Alguém lhe dissera:
-Vá para a cidade... Na cidade é que é lugar de fartura.
Mas na cidade não havia mais pão há coisa de uns dois meses. Ele era o único plantador de trigo da região.
Escrito por José de Castro às 19h02
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TÚNEL DO TEMPO - O bar dos poetas
Assim que cheguei a Natal, em 1976, deslumbrei-me totalmente com a cidade, com suas praias e com suas dunas. Devagar, fui me harmonizando com essa bela geografia de sal e de sol.
A praia de Pirangi é uma das que sempre me encantou. E é exatamente nessa praia que existiu um bar que eu chamava de "Bar dos Poetas". Sempre que eu ia por aquelas bandas, gostava de dar uma paradinha lá para comer um peixe e tomar algumas cervejas.
O que me fascinava naquele bar era uma de suas paredes, na qual tinham alguns grafitis com versos de poetas aqui da terra. Ao ficar ali, em qualquer uma de suas mesas, eu nunca me sentia só, pois tinha a companhia daqueles poetas.
"A paz dos bois dormindo era tamanha, que se ouvia o nascer das açucenas." (Zila Mamede)
"Na estrada os trigos brotarão a esmo em flores amarelas de pão." (Nei Leandro de Castro).
"Um pescador lança sua rede para o céu e colhe peixes intactos." (Diógenes da Cunha Lima)
"As roupas escuras esconderam meus pecados mortais. Roupas brancas, nunca mais." (Newton Navarro).
Nunca me esqueço de um dia em que eu e Tarcísio Gurgel tomamos uma caixa inteira de cerveja em companhia desses versos mágicos. Foi um porre inspirado.
Quem quizer saber a história toda acerca desse "bar dos poetas", converse com o nosso querido Diógenes da Cunha Lima, que ele vai dar toda a gênese do que aconteceu, pois ele é um dos protagonistas principais dessa deliciosa exposição mural.
Escrito por José de Castro às 18h51
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A EMOÇÃO DO REENCONTRO
Há algum tempo eu esperava pelo retorno dela. Confesso que estava um pouco apreensivo. Não sabia qual seria a minha reação. Será que ela vai estar gorda ou mais magra? Que surpresas ela me fará? Vou continuar gostando dela? Martelavam as dúvidas na cabeça.
Até que, finalmente, chegou o dia, numa tarde meio cinzenta, de pouco sol. Pensei que aquilo poderia ser sintomático, sinal de mau agouro. Mas fui recebê-la, ainda meio ansioso. Meu coração disparou e eu senti que suava frio.
Eis que ela estava ali diante de mim, bem ao alcance dos meus olhos e da minha mão. Agora eu poderia tocá-la e desvendar todos os seus mistérios. Olhei-a durante um bom tempo antes de tomar qualquer iniciativa. Por fim, tomei-a para mim, trazendo-a para bem perto. Minhas mãos a acariciaram lentamente, perscrutando todo o seu contorno.
Caminhei com ela para dentro da casa, silenciosa naquele entardecer.
Finalmente ela agora estava comigo. Minhas mãos ainda tremiam e meus dedos foram percorrendo cada um dos detalhes dela. Foram descendo bem lentamente e chegaram bem ali naquele ponto mágico. Aquele lugar que costuma ser a perdição de muitos e a causa da maioria dos seus problemas...
Tudo estava em ordem. Respirei aliviado. Apesar de tudo, ela tinha conseguido manter-se esbelta e agradável. Pensando melhor, creio que estava até um pouco mais magra do que da última vez que a vira, um mês atrás.
Beijei-a com carinho e lhe disse:
- Parabéns, querida... Espero que você se mantenha desse jeito para melhor durante este mês... Assim, vou te adorar cada vez mais...
Dito isto, acessei o computador e... paguei a conta do telefone! Foi o que fiz. Nada mais.
Escrito por José de Castro às 10h37
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O encanto mágico de Setembro
O mês de setembro é sempre mágico. Porque nele se inaugura, a cada ano, a primavera. Que traz no segredo das flores, na magia do vôo das borboletas, o pólen sagrado da esperança que visceja em que cada um dos corações e mentes dos brasileiros. Essa esperança nada tem a ver com as promessas políticas que os candidatos a prefeito e a vereador fazem. Setembro, apesar de ser véspera de eleições, está acima de todas as bravatas eleitoreiras. As promessas que setembro nos traz são diferentes. É aquela promessa de mais leveza no trato com o outro. De mais atenção ao canto do grilo. De mais carinho com as estrelas. Setembro traz um encanto mágico que nenhuma teoria consegue explicar. Para mim, setembro é poesia. Essa é a única linguagem capaz de desafiar todos os conceitos e de permanecer acima de todas as explicações. Setembro é um verso encravado na calendário, sussurrando promessas de novos tempos, de novas oportunidades, de se refazer a cada momento... Setembro é a força da imaginação de um povo querendo ser dono do seu próprio destino. Setembro é tudo isso e mais encanto e magia. Setembro é a busca do encontro de cada um com as suas possibilidades diante do mistério do mundo. É o momento de reinaugurar o instante que se esfarela por entre os dedos, como um pó mágico, como um vento colorido pelo pólen das flores que perfumam e engravidam o mundo de esperança.
"Meu coração caminha pelas ruas
bem no início dessa primavera
e colhe a primeira flor mágica
que dança aos ventos de setembro."
(José de Castro)
Escrito por José de Castro às 01h12
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ENTRE SEM BATER, o livro
Hoje, enquanto aguardava a hora de entrar para assistir ao filme "Olga", folheei e fiz uma leitura dinâmica do livro "Entre sem bater", do jornalista Luís Pimentel. A obra é uma crônica acerca da trajetória do humor na imprensa brasileira, cujo título se inspira na tabuleta que o "Barão de Itararé" colocou na porta de sua sala no "A Manha", como uma advertência para a polícia quando viesse prendê-lo. Quer dizer, pode entrar, mas não precisa "baixar o cassetete". O título "A Manha" era uma alusão a um dos principais jornais da época, "A Manhã". Aliás, Aparício Torelly (ou Barão de Itararé) talvez possa ser conhecido como "o pai do nosso humor". Ou um dos seus maiores influenciadores, que fez escola e marcou toda uma geração. O livro desfia muitas histórias interessantes em torno dos nossos maiores nomes do humorismo desenhado e escrito. Mostra a importância que teve "O Cruzeiro", com o seu genial "O Amigo da Onça", de Péricles e Carlos Estêvão. Enaltece o trabalho do genial Millor (o Vão Gôgo) com o seu "O Pif Paf". Perpassa todo o trabalho daquela geração que fez "O Pasquim", depois "Bundas" e novamente "O Pasquim 21", sempre liderados pelo persistente cartunista Ziraldo. Além disso, o livro mostra alguns outros cenários do humor, como Minas Gerais (BH) e Pernambuco (Recife) com o seu "Papa Figo". O "Entre sem bater" é uma obra agradável de se ler, que mostra a importância dos Salões de Humor que existem no Brasil e comenta toda uma geração de antigos e de novos talentos que existem por esse país afora. O autor sempre conviveu bem perto desses jornalistas/humoristas, do cartum, da charge ou dos textos, os quais fizeram escola no passado da imprensa brasileira e muitos deles ainda continuam até hoje valorizando essa arte de ver o mundo por um ângulo inusitado, que o torna, às vezes trágico, às vezes cômico. Esse olhar que é incapaz de guardar neutralidade e indiferença diante de fatos políticos ou de acontecimentos do cotidiano de simples mortais, como quaisquer um de nós brasileiros. É um livro que recomendo, não pelo fato de fazer rir. Não só por isso. Porque, como diria o próprio Ziraldo, "humor é coisa séria". Mas porque é um livro para rir e pensar. Um povo que não consegue rir de si próprio não tem graça nenhuma...
Escrito por José de Castro às 21h05
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OLGA, o filme
Hoje assisti ao filme Olga, do Monjardim. Um belo e comovente filme. Eu já havia lido o livro do Fernando Morais, do qual gostei muito. O filme faz jus ao livro, conduzindo a narrativa com muita emoção. O desempenho da atriz é convincente. O do ator que viveu o Prestes, nem tanto... Na minha opinião, nas cenas finais, momento em que é lida a última carta de Olga, o BG (som de fundo) devia ser um pouco mais baixo, pois prejudicou muito o entendimento das palavras (ou talvez seja a qualidade do sistema de som da sala de exibição). De qualquer forma o BG ficou mais como "ruído", entrando como estímulo concorrente, o que dificultou saborear o texto escrito por Olga Benário Prestes, palavras corajosas de uma mulher de fibra. Fernanda Montenegro, como sempre, convence nos papéis que encarna, com muito carisma. Gostei da fotografia e do "décor". O filme nos remete a uma época do Brasil e do mundo da qual nenhum de nós se orgulha. Momentos de desvario, de desmandos, de humilhação e de abuso de poder, que atentam contra a dignidade humana. Getúlio Vargas e sua polícia política não precisavam ter encaminhado a "ovelha" ao sacrifício, por mais negra que ela parecesse aos seus olhos. Afinal de contas, ela trazia no seu ventre o fruto de uma união com um brasileiro. Entregá-la aos carrascos nazistas foi uma covardia e uma estupidez que nos envergonha. No meu modo de ver só mesmo a subserviência e a vontade de agradar "os mais fortes" justifica esse ato de humilhação de um país que entrega ao sacrifício a semente de uma futura cidadã brasileira. Anita Leocádia poderia ter perecido nas prisões em terras do Führer. Felizmente ela sobreviveu. A história de Olga Benário Prestes é, toda ela, marcada por perdas. Perdeu-se do pai ao se despedir dele para ir tentar a vida de forma independente (e depois, com sua morte, a perda foi definitiva). Perdeu-se da mãe que a renegou, ainda em vida. Foi separada da filha ao não poder mais amamentá-la. Perdeu o amor de sua vida, Prestes, incomunicável numa prisão brasileira. Perdeu uma de suas melhores amigas num dos campos de concentração. Perdeu a própria vida. Sua história se parece muito com a de Jó, aquele personagem bíblico. Só que este, depois de um tempo, recuperou tudo o que havia perdido, tendo até recebido bens em dobro, ou mais que isso. Olga, não. Perdeu tudo. Aliás, quase tudo, pois não perdeu a sua dignidade de mulher de fibra, de mulher que amou a vida inteira e que lutou até o último momento pelo ideal que defendia. Assim é a história da humanidade. Alguns lutam por um ideal em que acreditam, o sonho de poder construir um mundo melhor e mais digno. Outros lutam para agradar aos poderosos e, assim, poderem se perpetuar no poder. Getúlio Vargas acabou se suicidando, talvez assolado pelos fantasmas do seu passado político. Suas palavras finais "saio da vida para entrar na história" poderiam soar melhor para nós se não tivesse cometido o "pecado" de ter entregue à sanha nazista a mulher do "cavaleiro da esperança", Olga Benário Prestes. O filme Olga deve ser visto por todos os brasileiros. Afinal, ele é a cara do mesmo Brasil que ainda teima em viver se curvando aos poderosos de plantão...
Escrito por José de Castro às 19h50
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A memória do homem é a sua arma secreta
Através do resgate de sua memória o homem se refaz a cada momento. Por isso mesmo vou tentar ser, agora nesse começo de conversa, um pouco memorialista. Vou relembrar alguns caminhos que trilhei no passado e que ainda hoje têm marcas nítidas que influenciam o meu jeito de andar... de escolher... de sonhar... Mas, ao mesmo tempo, pretendo colocar produções feitas no agora. Será uma tentativa de ir e vir no tempo. De voltar e, ao mesmo tempo, permanecer... Como no cinema que faz um flash-back e depois volta para o momento presente da narrativa. A memória, ao mesmo tempo que é acionada, dá novas cores aos fatos vividos, porque houve um transcurso de tempo e o que passou pode ser "interpretado". É o que se pode chamar de "olhar compreensivo", resgate, releitura ou re-significação. Somos viajantes do tempo e queremos ser senhores do nosso destino. Vamos, portanto, nessa viagem, que promete muitos vôos rasantes pelos porões da memória, assustando fantasmas e, ao mesmo tempo, reinventando paraísos perdidos... E desejando um porvir melhor... Como um flash-post cinematográfico, que sonha com um final feliz...
Escrito por José de Castro às 02h22
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Eu fazia "Blog" antes da Internet
Isso mesmo. Nas décadas de 70 e 80 eu já escrevia "blogs". Só que não tinha esse nome e nem havia ainda a Internet para eu publicar. Eu mantinha o meu blog na minha "Olivetti Lettera 22", adquirida com a primeira remuneração que recebi pela minha coluna "Pós Escritos", que mantive no jornal "Agora" (dos Associados), em São José dos Campos - SP. O meu blog continha as minhas criações do dia-a-dia: frases, idéias para contos, crônicas, reflexões, impressões numa mistura literária muito grande. Foi pensando nisso que intitulei este meu blog de "Balaio Literário", pois era isso mesmo que eu fazia no passado. E que agora pretendo retomar, só que com possibilidades de publicar na WEB e receber comentários. Muita coisa que eu escrevi naquela época ficou sem publicar. Tenho muito material datilografado e arquivado em pastas. Algumas frases de humor eu consegui publicar no Pasquim, no heróico Pasquim do Ziraldo, Millôr, Ivan Lessa, Jaguar e Cia. Muitas frases foram selecionadas e publicadas sistematicamente, durante dois anos, na minha coluna de humor no já citado "Agora" de São José dos Campos. Foi assim que resolvi, depois de estar há 27 anos morando em Natal, reunir em livro meus principais escritos daquela época, misturados com algumas produções já feitas em terras potiguares. Assim nasceu o "Quem brinca em serviço - textos de humor", ilustrado pelo cartunista Ivan Cabral e publicado pelo Sebo Vermelho (Natal-RN, 2003). Como consegui publicar e lançar na I Bienal do Nacional do Livro de Natal um livro de poemas infantis, "A marreca de Rebeca", pela Editora Paulus, lindamente ilustrado pelo artista plástico Eliardo França. Portanto, pretendo dar continuidade a criações literárias de diversos gêneros aqui nesse espaço. E também fazer reflexões sobre a literatura e as suas interfaces com a educação e com os diversos meios de comunicação. Será uma jornada experimental, que poderá contar com vários temperos e destinada a diversos paladares. Você que chegou até aqui, ajude a enriquecer esse processo com os seus comentários. A culminância de um processo comunicativo se dá quando há retorno, o que garante a sua realimentação. Bem vindos todos os que aqui chegaram. Vamos juntos, leves como o vento, silenciosos e brilhantes como as estrelas, efêmeros e infinitos como as borboletas do tempo...
Escrito por José de Castro às 01h42
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