Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, NATAL, PONTA NEGRA, Homem, Portuguese, English, Livros, Esportes
MSN -



Histórico
 14/11/2004 a 20/11/2004
 07/11/2004 a 13/11/2004
 31/10/2004 a 06/11/2004
 24/10/2004 a 30/10/2004
 17/10/2004 a 23/10/2004
 10/10/2004 a 16/10/2004
 03/10/2004 a 09/10/2004
 26/09/2004 a 02/10/2004
 19/09/2004 a 25/09/2004
 12/09/2004 a 18/09/2004
 05/09/2004 a 11/09/2004


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Clotilde Tavares
 Blog da Teresa Leonel
 Blog do Marcelo Tas
 Balaio Vermelho
 William Oliveira - Literal Mente
 Hormoniosas
 Antonio Junior (El Gitano)
 Telefonia grátis
 Blog do Ricardinho
 Blog da Luciana (LU)
 Sétima Arte
 Crítica de Cinema
 Leo Cunha (escritor)
 Tábua de Marés


 
BALAIO LITERÁRIO


TÚNEL DO TEMPO (final)

GLOSA (versos finais)

 

IX

Se te mexem, tu afasta-te,

Se difamam, nada digas;

De que serve o teu conselho,

Se bem sabes quanto valem?

Digam eles o que disserem,

Passe quem passar no mundo,

Para não gostares de nada,

Insensível fica a tudo.

 

X

Insensível fica a tudo,

Se te incitam, se te chamam;

Como as ondas, passa a onda,

Nada esperes, nem receies.

Interroga-te e medita

Sobre o mal e sobre o bem...

Tudo é velho e novo é tudo,

Tempo passa, tempo vem.

 

(Mihail Eminescu, 1850-1889)

O maior poeta dos romenos de todos os tempos. Estudou na Romênia, Viena, Berlim. Redator do jornal romeno Timpul.



Escrito por José de Castro às 14h52
[] [envie esta mensagem]



TÚNEL DO TEMPO - Parte III

GLOSA (continuação)

V

O futuro e o passado

São da folha as duas páginas;

Vê o fim desde o princípio

Quem aprende a conhecê-los;

O que foi e o que será

No presente possuímos;

Mas quanto à sua vaidade,

Interroga-te e medita.

 

VI

Porque tudo quanto existe

Se submete às mesmas leis;

E há milênios e milênios

É o mundo alegre e triste;

Outras máscaras e bocas –

Mesma peça e mesma voz.

Tantas vezes enganado,

Nada esperes, nem receies.

 

VII

Nada esperes vendo os míseros

Pelo êxito lutarem;

Perderás com esses tolos,

Apesar do teu engenho.

Não receies, pois entre eles

Tentarão prejudicar-se.

Não procures acompanhá-los:

Como as ondas, passa a onda.

 

VIII

Como um canto de sereia

Lança o mundo as suas redes;

Quando muda atores em cena,

Larga nuvens de poeira;

Tu, então, passa de lado,

Nem sequer dês atenção;

Não desvie o teu caminho

Se te incitam, se te chamam.

 (continua)



Escrito por José de Castro às 14h50
[] [envie esta mensagem]



TÚNEL DO TEMPO - Parte II

GLOSA

 

I

Tempo passa, tempo vem,

Tudo é velho e novo é tudo;

Sobre o mal e sobre o bem,

Interroga-te e medita;

Na esperas, nem receies;

Como as ondas, passa a onda;

Se te incitam, se te chamam,

Insensível fica a tudo.

 

II

Muita coisa ante nós passa,

Nós ouvimos muita coisa;

Quem se lembra disso tudo

E a escutá-lo ficaria?

Tu, recolhe-te a um canto,

Encontrando-te a ti próprio,

Quando, com ruídos vãos,

Tempo passa, tempo vem.

 

III

Nem se incline a fria agulha

Da balança do pensar

Para o instante que se muda

Em ventura mascarada,

Que da própria morte nasce

E talvez se esvai num ápice;

Para aquele que conhece,

Tudo é velho e novo é tudo.

 

IV

Como espectador no teatro

Imagina-te no mundo:

Mesmo que um faça de quatro,

O seu rosto reconhece;

Se discutem ou se choram,

Tu desfruta-os do teu canto,

Dessas manhas refletindo

Sobre o mal e sobre o bem.

  

 (continua...)



Escrito por José de Castro às 14h46
[] [envie esta mensagem]



TÚNEL DO TEMPO - Parte I

PROFESSOR PAULESCU

 

Quando fiz Faculdade de Comunicação na Universidade de Brasília, no final dos anos 60, conheci o professor Paulescu, que dava aulas de romeno para a Faculdade de Letras daquela universidade. Meus amigos Guido Heleno e Climério Ferreira, daí de Brasília, com certeza haverão de se lembrar do velho professor, que já deve ter ido dar aulas de romeno nos páramos da eternidade. 

 

Ele nos deu uma bela poesia, que ainda guardo até hoje, com um poema bem interessante de MIHAIL EMINESCU, considerado por ele como o maior poeta romeno de todos os tempos.

 

No poema que publico no próximo blog, vocês vão notar que as 1ª e última estrofes têm os mesmos versos, numa ordem inversa. As demais estrofes, de 2 a 9 correspondem à exploração de cada um desses versos. Ou seja, cada uma delas termina com um dos versos propostos na 1ª estrofe. Daí o nome GLOSA.

 

É uma arquitetura poética interessante, trazendo reflexões filosóficas sobre o existir humano.

 

(continua – no blog seguinte, o poema...)

Escrito por José de Castro às 14h42
[] [envie esta mensagem]



POEMA ESPECIAL

PEDIDO

 

Mesmo que doa, quero que me rasgues,

que tu me lanhes e depois me afagues

 

lambendo as chagas como cães no cio,

pedindo perdão pelo desvario

 

de sentir prazer nas marcas que arrasto

para não te esquecer no leito azul

 

quando sozinha eu fico e ouço os gemidos

que se misturam ainda ao farfalhar

 

do bosque e seus sussurros abafados.

Mesmo que doa, vem, meu doce amado.

 

(Leonor Scliar-Cabral, in De senectute erotica, São Paulo: Massao Ohno Editor, 1998)

Escrito por José de Castro às 20h52
[] [envie esta mensagem]



ESTANTE: RELEITURAS

 

 

PEDRO PÁRAMO, de Juan Rulfo

 

Este é um dos livros que gosto sempre de reler. Creio que foi Borges quem afirmou que melhor que ler é reler. É dentro desse espírito que saboreio as memórias dos “vivos e dos mortos” de Comala, na narrativa poética e entrecortada desse grande escritor latino-americano. Sempre sou assaltado por uma emoção nova e surpreendido por descobertas de uma linguagem  evocativa, que vai descortinando os cenários, as acontecências, num fluxo mágico que nos faz pensar e repensar o grande mistério que é a existência do homem, esse ser de relacionamentos.

 

Existem autores que conseguem escrever prosa como se fizessem poesia. Juan Rulfo é um deles.

 

“Lá você vai encontrar a minha querência. O lugar que amei. Onde os sonhos me debilitaram. Meu povoado, erguido sobre a planície. Cheio de árvores e de folhas, como um cofre onde guardamos as nossas recordações. Vai sentir que ali gostaria de viver para a eternidade. O amanhecer, a manhã, o meio-dia e a noite, sempre os mesmos; mas com a diferença da brisa. Lá onde o vento muda a cor das coisas, onde a vida é ventilada como se fosse um sussurro, como se fosse apenas um sussurro de vida...”

 

(Juan Rulfo, in Pedro Páramo, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996).

 

Eu tinha uma edição dessa mesma obra, mesclada com “O planalto em chamas”, numa edição do Círculo do Livro. Mas não sei em que “páramos” anda esse livro.  Emprestar livro e não anotar é um dos meus defeitos, que estou procurando corrigir nos dias atuais. Não quero mais perder livros raros, como já me aconteceu por um punhado de vezes.

 

Você já passou por essa experiência também? Aproveite o espaço para desabafar...

 



Escrito por José de Castro às 14h37
[] [envie esta mensagem]



MINI-CONTO

A LENDA DOS URUBUS BIÔNICOS

 

Um caminhão de alcatra e filés capotou na esquina.

 

Urubus brilhantes e metálicos, mais que depressa, vieram e comeram os pneus, as rodas, a boléia, o motor e toda a carroceria.

 

A carne ficou intacta, sozinha e intragável, recendendo sua putrefação no asfalto.

 

(José de Castro, in Antologia Literária I, SPVA/RN, 1999).

Escrito por José de Castro às 14h33
[] [envie esta mensagem]



LITERATURA INFANTIL

A marreca de Rebeca

 

Sempre que sou convidado por alguma escola de Ensino Fundamental a falar sobre o meu livro de poemas infantis, (A marreca de Rebeca e outros poemas, São Paulo: Paulus, 2000) as crianças sempre querem saber como eu tive a idéia de fazer esse livro.

 

No início do mês de março de 2000, resolvi participar do Concurso Nacional de Literatura João de Barro, da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. O material precisava ser encaminhado até o final do mês e eu não tinha nada pronto. Sentei-me diante do teclado do computador para escrever algumas histórias. Mas só me viam à mente idéias em versos. Aí, durante 10 dias produzi material suficiente para dois livros de poemas e os submeti a julgamento. Não deu em nada.

 

Contudo, no final do ano mostrei os poemas para o escritor mineiro Elias José (noutro blog vou falar sobre ele) que os leu com bastante carinho, achou-os  interessantes, tendo sugerido algumas modificações em alguns, principalmente “enxugamento” de versos. Retrabalhei o material e, seguindo a orientação dele, enviei os originais para a Paulus Editora, em São Paulo. O livro foi aceito para ser publicado no ano de 2002, tendo sido ilustrado pelo artista plástico mineiro Eliardo França.

 

No mês de junho de 2002, lancei o “A marreca de Rebeca e outros poemas” por ocasião da I Bienal Nacional de Livro de Natal, tendo proferido uma palestra no Salão de Idéias, sobre a literatura infantil e a poesia como estratégias para se dinamizar a sala de aula.   

 

De lá para cá o livro vem tendo uma boa aceitação, tendo sido adotado pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo para utilização em sua rede de Ensino Fundamental.

Aqui em Natal algumas escolas também o adotaram: Chapeuzinho Vermelho, Colégio das Neves, dentre outros. O Colégio Executivo está em vias de sugerir a sua utilização em sala de aula.

 

Considero-me privilegiado por ter conseguido uma estréia-solo tão boa, pois o livro ficou muito bonito e vem tendo toda a atenção da editora para com a sua divulgação.

 

 

 



Escrito por José de Castro às 09h29
[] [envie esta mensagem]



Reflexão do dia (ou da noite)

"Quem tenta reconstruir o mundo através das palavras sabe reconhecer um igual e certamente comungam as estrelas." (Luciana Melo)

Escrito por José de Castro às 18h41
[] [envie esta mensagem]



POEMINHA BILÍNGÜE

BLÁ-BLÁ-BLOG

 

O barco afundou

na lagoa escura,

fazendo assim: blog, blog, blog...

 

Sobre a pedra

coachava e ria

o debochado frog, frog, frog...

 

Se fosse em Londres,

ninguém veria nada:

só o manto do fog, fog, fog...

 

Esse poeminha

me deu fome:

vou comer um hot-dog, dog, dog...

 

Por hoje

é este

o meu blog.

 

Blog, blog, blog!

 

 

 



Escrito por José de Castro às 17h20
[] [envie esta mensagem]



LETRA DE MÚSICA

CANÇÃO TRAMADA

 

No fio da faca da noite

afio mistérios secretos

e desfio esse canto sagrado,

tecido de sonho e de amor.

 

No frio metal dessa voz

afio a faca do peito

cortando fatias da noite

em pedaços de sonho e emoção.

 

No fio dessa tua teia

acordo meia-noite e meia

e tramo esse drama secreto

de aranha em casulo de amor.

 

Na teia desse teu mistério

eu teço essa louca paixão,

e no fio dessa tua voz

eu canto essa estranha canção.

 

(José de Castro, inédita, Natal/RN, 1999)

Escrito por José de Castro às 13h58
[] [envie esta mensagem]



POEMA PARA RODRIGO

ACRÓSTICO

 

Gosto desse gênero, desde que os versos não pareçam “forçados”. Se fluírem com naturalidade, tudo bem.

 

Em 1999, dediquei esses versos para o meu filho Rodrigo, que hoje está com 9 anos de idade.

 

R esplandece o brilho dos teus olhos nos

O lhos de quem te contempla ainda menino...

D evias ser assim tão tenro eternamente,

R iscando a velhice do teu calendário e

 I  mpondo um ritmo lento no desabrochar dos

G irassóis do tempo... Olho nos teus

O lhos e me vejo criança refletido em ti.

 

É sempre tempo de oferecer um poema a quem se ama. Versificar a partir das iniciais de um nome poderá ser um bom exercício. Que tal experimentar?

 



Escrito por José de Castro às 13h40
[] [envie esta mensagem]



REFLEXÃO CRONOLÓGICA

CONTRADIÇÕES TEMPORAIS

  

Qualquer pessoa percebe que está ficando velha quando, em vez de dizer “naquele  ano”, diz “naquela década”.

 

Por outro lado, nos dias de hoje, referir-se ao século passado, ainda não representa nenhum abalo gerontológico.

 

Quando você diz que conheceu alguém no século passado, a princípio causa-se uma estranheza. Mas, logo em seguida, a pessoa abre um sorriso e percebe que isso aconteceu há bem pouco tempo.

  

Foi exatamente isso que o escritor e crítico literário Tarcísio Gurgel fez comigo na última  capa do livro “Quem brinca em serviço”:  “(...) José de Castro (...) a quem tive o prazer de conhecer no século passado – revelou-se um refinado observador da nossa condição humana... (...)”

 

Faça você também essa experiência com alguém próximo e depois me conte o resultado.

 



Escrito por José de Castro às 19h36
[] [envie esta mensagem]



MÁXIMAS DE HUMOR -

TÚNEL DO TEMPO

 

Na década de 70, nos anos heróicos do “O Pasquim” de Ziraldo, Jaguar, Ivan Lessa e Sérgio Augusto, dentre outros feras, tive o prazer de ver algumas frases de minha autoria publicadas em duas de suas edições. A primeira coluna publicada continha as seguintes máximas de humor:

 

 

PICLES

 

No princípio era o verbo. O verbo se fez carne e a SUNAB tabelou.

A carne é fraca, mas o preço é forte.

Se sua mulher é um bucho, pelo menos dobradinha não vai lhe faltar...

Atrás do trio elétrico só não vai quem já tá na frente.

Quem tem boca vai a Roma, quem é dentista roda o mundo inteiro.

Jogador de futebol é aquele cara que faz das luvas o seu pé-de-meia.

Manda-chuva frustrado é aquele que mora no nordeste.

Briga de foice no escuro não é nada. Pior é ser o juiz.

Pé-de-atleta era o seu calcanhar de Aquiles.

Vivia contando dedinhos de prosa... até que lhe cortaram a mão.

  -0-0-0-0-0-0-

 Foram publicadas, nesta mesma coluna “Picles”, estas outras frases, que separei propositalmente para mostrar que se referem a uma época que não existe mais. São frases “carimbadas” dentro de um certo contexto que pode não ser entendido por quem é mais jovem. De qualquer forma elas estão aí para o seu comentário, prezado leitor ou leitora. Eu só vou falar de uma delas, a última, que se refere a um dos principais personagens da guerra  interminável entre judeus e palestinos, envolvendo disputas territoriais, como as Colinas de Golan, dentre outros. Trata-se de uma crítica a Moshe Dayan, que foi ministro da defesa de Israel à época, que usava um tapa-olho, à moda dos piratas do Caribe.

As demais, creio que, apesar da distância no tempo, são mais fáceis de serem explicadas. Quem se habilita?

 

Tio Patinhas, filantropicamente, adotou os Sobrinhos do Capitão.

Em São Paulo, quem fala muito dá bom dia a Volkswagen.

Na selva de pedra, o cavalo é de aço.

Secos e Molhados pode dissolver-se a qualquer momento por incompatibilidade de gênero.

Em terra de cego, quem tem um olho é ministro da defesa.

  

(Essas frases, dentre outras, podem ser encontradas no meu livro “Quem brinca em serviço – textos de humor”, editado pelo Sebo Vermelho  - Natal/RN e lançado na II Bienal Nacional do Livro de Natal, realizada no ano de 2003.)

Escrito por José de Castro às 18h58
[] [envie esta mensagem]



RESPOSTA DA "MATUTA" BRASILEIRA

E-MAIL DA KINHA COSTA

(RECEBIDO HOJE, ÀS 05h26)

 

“Querido!

Dei uma olhada rapidinha, mas irei com tempo passear no seu blog para poder me inteirar. A minha filha de 12 anos, adorou seu livro. Que legal, né? Eu idem.

 

Quanto ao fato de alguém ter pego o meu livro, isso é um bom sinal. Quer dizer que alguém roubou o meu/seu livro? Ora, se roubar livro se tornar um hábito o nosso país poderia vir a ser, vamos assim dizer, um país de ladroes letrados.  ou será que já nao o é? Agora pensei nos ladroes de colarinho branco, mas essa é outra estória.

 

Castro, você pode encontrar meu livro  na livraria Poty - aquela do centro da cidade,  na livraria do shopping da Hermes da Fonseca - quase na entrada de Ponta Negra - é que nao sei o nome -  e na livraria perto do mesmo shopping, na Hermes. E ainda na livraria  bacana na cidade, na rua Mossoró? Agora nao sei direito.  Vou procurar os nomes das livrarias - pois anotei em alguma agenda do ano passado - e mandar pra vc.

 

Sim,  queria que vc me mandasse a sua crítica sobre o meu livro - nao dá pra baixar do seu blog, dá? Para eu publicar na revista que edito na Holanda.

 

Ainda nao sei se iremos a Natal em dezembro. Mas se for a gente se encontra.

 

Beijo,

 

Kinha.”

 

Como vocês podem observar no texto, na Holanda NÃO se utiliza o sinal "til". A bem da verdade, eu também nao faria muita questao de usar essa acentuaçao. Poderia, no começo, causar um pouco de confusao. Afinal, comunicação, na NET já é "comunicacao" e educação é "educacao". Quer dizer, alguns países, além do "til" não usam também o "ç".

 

De vez em quando eu chego a pensar que Machado de Assis tinha razão quando fez uma proposta de alteração no modo de se escrever a nossa língua, sugerindo que a gente deveria escrever do jeitinho que se pronuncia... 

 

O que você, prezado leitor ou leitora pensa disso?

 



Escrito por José de Castro às 07h15
[] [envie esta mensagem]



UM "CAUSO" DE POLÍCIA - PARTE FINAL

UM FINAL DIFERENTE PARA A FÁBULA DA BARATA

 

Agora, prezado leitor ou leitora, imaginemos algumas alternativas para um final um pouco mais surpreendente e criativo para essa fábula, aliás, “causo”. Eu pensei o seguinte:

 

a)      Assim que eles saltaram do carro, enquanto a polícia “delicadamente” cumpria o seu papel de “guardiã” dos cidadãos, a barata assumiu o volante do carro, pisou fundo no acelerador e, até esse momento, ninguém sabe do seu paradeiro. Existem alguns rumores e boatos de que em Varginha – MG, além do ET, apareceu um misterioso carro que trafega sozinho pelas ruas... Deve ser o que foi seqüestrado pela nossa querida personagem, que, dizem, corre mais veloz que o supercampeão Schumacher...

 

b)      Quando o guarda perguntou “cadê a barata?”, a minha sobrinha Salomé mostrou a dela. Antes que você fique imaginando coisas, saiba que ela é supercriativa (tem até dissertação de mestrado sobre criatividade!). A barata que ela mostrou ao guarda foi mesmo uma barata real, esse inseto asqueroso e temido pela maioria dos mortais (o nosso Tomé não fica sozinho nessa parada...). Só que a barata da Salomé estava cozida. Isso mesmo, prontinha para ser utilizada no golpe do restaurante. Se você não conhece, é assim.

 

Você escolhe um restaurante bem chique, dos mais caros que existem. Aí, senta-se à mesa, pega o menu e pede o prato mais sofisticado que houver. Geralmente tem o primeiro prato, o segundo prato e por aí afora... Lá pelo último prato, quase no final¸ você tira de um recipiente especial uma barata previamente cozida, bem molenga, quase soltando os pedaços. Aí você – sem que ninguém note, é claro – coloca-a sob as alcachofras ao molho de alcaparras (ou sob qualquer outro acepipe que restar no prato) e dá um sonoro grito. O garçom, aliás toda uma equipe deles, acorrerá rapidamente. Você, enojada, ameaçando um fingido vômito, aponta para o inseto com o garfo espetado no ar. Faz um gesto de grandeza e magnanimidade, evidenciando que não vai fazer nenhum escândalo e nem denúncias. Levanta-se de sua mesa, pega a bolsa e sai triunfalmente do restaurante sem ter liquidado a fatura. Nunca soube que esse golpe tenha dado errado. O único porém é que você jamais vai poder voltar àquelas paragens. Por mais que tenha apreciado o cardápio....

 

Então, foi uma barata assim produzida que a Salomé mostrou para o guarda. Agora, não me perguntem se ela já aplicou esse golpe em algum restaurante daí de Brasília. Pelo menos aqui em Natal/RN, ainda não... Mas, nunca se sabe...

 

c)      A barata, na verdade, era uma personagem do Kafka. Sob a casca dura, lisa, marrom e luzidia, ocultava-se uma princesa, aguardando o beijo do “príncipe” para ser desencantada. Isso significa que o Tomé e o Asdrúbal não imaginam a oportunidade que perderam. Bastava um deles ter dado uma “bicoca” ou um “selinho” (não precisava nem ser beijo de língua) na pobrezinha que ela iria aparecer na sua forma original, esplendorosa, linda em todo o seu fulgor e fragor de virgem predestinada...

 

d)      Agora é a sua vez, caro leitor ou leitora. Crie um final surpreendente e inusitado para a história, mostrando todo o seu talento inventivo... Estou esperando...



Escrito por José de Castro às 19h42
[] [envie esta mensagem]



UM ''CAUSO'' DE POLÍCIA

 

Vou recontar um “causo” que me foi passado pela minha sobrinha Salomé, de Brasília. Ela jura que é um fato verídico, acontecido no bairro da Samambaia. Por precaução, atribuí nomes fictícios aos personagens reais. Para evitar eventuais represálias...

 

Antes, porém, convido o leitor ou leitora a prestarem bastante atenção na história, pois está feito o convite, desde agora, para que haja uma participação quanto ao final desse “causo”.

 

Não se esqueçam de que o relato foi feito pela minha sobrinha Salomé, pessoa da mais alta credibilidade. . .

 

A FÁBULA DA BARATA (Te cuida, La Fontaine!)

 

“Certa noite, voltávamos de uma festa de aniversário eu, meu irmão Tomé e um amigo dele, o Asdrúbal. Além do parabéns, nosso amigo comum Barnabé festejava também o fato que seria pai e estava super-feliz com isso.

 

Asdrúbal, circunspeto como sempre, estava ao volante e nós dois – eu e o Tomé – bem tranqüilos, apesar de estarmos cruzando o bairro da Samambaia, tido como barra pesada.

 

De repente, não mais que de repente (como diria Vinicius), Tomé começou a se estapear e a gritar:

-Pare o carro, Asdrúbal... Pare o carro! Agora, já!

 

Eu e o Asdrúbal não estávamos entendendo nada. Apesar disso, ele pisou no freio e paramos abruptamente.

 

Tomé, apavorado e se contorcendo todo, abriu a porta e saímos todos do carro. Mas aí, fui eu quem ficou atônita e gelada ao ouvir uma voz de comando bem autoritária:

 

-Parados! Mãos na cabeça!

Era a polícia.

 

Aí o Tomé foi logo explicando:

 

-Ei, não se preocupem... Foi só uma barata que estava passeando pelo meu blusão!!!

 

O guarda, incrédulo, aproximou-se e nos mediu de cima a baixo:

-Essa história está muito estranha... Cadê a barata?

 

Tomé pensou lá com os botões do seu blusão que o guarda se parecia mais com o Tomé bíblico do que ele. Ele não acreditava que uma simples barata poderia causar tanta confusão. Mas a verdade era essa.

 

Tentando relaxar, arrematou:

-Ah! Depois dessa confusão toda, seu guarda, eu não duvido nada se a danada da barata não tiver se escondido no carro-patrulha de vocês...

 

O guarda fez cara de poucos amigos e, ainda meio sem acreditar naquela história, nos liberou. Mas antes deu um “baculejo” em nós e no veículo. É claro que não encontrou nada...

 

MORAL DA HISTÓRIA:

“A nossa polícia é tão competente que não serve para desbaratar nada!”

 



Escrito por José de Castro às 19h40
[] [envie esta mensagem]



POEMA

NÃO CUIDEI DO SILÊNCIO

 

Hoje não tive tempo de escovar a alma

com as cerdas suaves

da atenção, do carinho e da observação

que envolvem os sábios.

Fui precipitado em quase tudo o que fiz.

Não ouvi o canto do pássaro e nem toquei o orvalho

prateando o dorso da relva pela manhã.

Os raios de sol infiltrados nas sombras das árvores

não foram notados por mim.

Os beija-flores tornaram-se invisíveis,

e as borboletas, misteriosas, se ocultaram.

As fragrâncias do dia e da tarde,

o doce aroma de romã e jasmim

passaram incólumes por mim.

 

Não cuidei do silêncio

que germina as pequenas flores azuis.

As aranhas teceram segredos em fios de luz,

imperceptíveis aos meus olhos.

O zênite e o cair da tarde

escoaram-se nas areias do alheamento.

 

Agora, nesse momento mágico de estrelas de prata,

meus sentidos aguçados penetram a alma da noite

em percepções de ouro e diamante.

Como fui tolo por todo o dia em meu sono de olhos abertos...

 

Mas a noite chegou.

Sinto-me vivo em cada poro.

A canção dos grilos decifro com ouvidos atentos,

e contemplo no escuro o mistério do universo,

inscrito no brilho intenso do vôo breve do vaga-lume.

 

(José de Castro, in Antologia Literária II – SPVA/RN, 2000)

Escrito por José de Castro às 20h12
[] [envie esta mensagem]



BESTEIROL & ABOBRINHAS

 

 

AVEIA, A “VÉIA” E A VEIA HUMORÍSTICA

 

  • Aveia humorística é aquela farinha de cereal metida a engraçadinha.

 

  • A “véia” humorística é quando a terceira idade ri tanto que cai a dentadura.

 

  • A veia humorística é aquele canal por onde se faz transfusão de riso.

 

Agora, falando sério, a veia humorística existe naqueles indivíduos que vêem a desgraça e nela colocam graça.

 

Exemplo de diálogo com aveia, “véia” e veia humorística:

 

-         Vai aí um mingau de aveia, minha “véia”?

-         Só se você disser de onde veio a aveia, “véio”...

-         Veio de Varginha...

-         Aveia de vagina? Zeus me livre! - como diriam os olimpianos..

 



Escrito por José de Castro às 15h10
[] [envie esta mensagem]



IMPRESSÕES DE UMA MATUTA: aventuras brasileiras nos Países Baixos

 

KINHA COSTA, a atriz autora

 

Há nove meses atrás, mais especificamente no dia 15/12/03, a atriz potiguar Kinha Costa, hoje radicada na Holanda com seu marido e duas filhas, esteve em Natal/RN para o lançamento do seu livro de estréia como cronista, num show-monólogo em que interpretava trechos de sua obra. Ao final do espetáculo eu e Kinha “trocamos figurinhas”, aliás nossos livros: eu lhe dei o “Quem brinca em serviço: textos de humor” e ela me autografou o “Impressões de uma matuta: aventuras brasileiras nos Países Baixos” (Rio de Janeiro: Letra Capital, 2003). O livro traz belas ilustrações de Carlos Duba, tem orelha de Zé Zuca e prefácio da atriz e escritora Elisa Lucinda.

 

É uma obra surpreendente, pois todos nós que tivemos o prazer de conviver com a “matuta”, reconhecíamos o seu brilho como atriz. Mas, como escritora, foi uma grata surpresa. E talentosa, dessas que conta as coisas de uma maneira espontânea, às vezes nua, às vezes crua, mas sempre com um estilo muito “brasileiro”, de um povo que sabe rir de si mesmo.

 

Kinha Costa surgiu para o mundo artístico em Natal, mais especificamente num projeto de educação a distância, o Sistema de Teleducação do Rio Grande do Norte – SITERN, da década de 70, como atriz de televisão e de rádio, época em que eu participava da TV-Universitária como diretor de programação e realização e responsável pelo elenco. 

 

Em 1980, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde atuou em vários espetáculos teatrais, em revistas e espetáculos infantis.

 

Acalentando um sonho de ir estudar teatro na Itália, em 1989 acabou ancorando na Holanda (Amsterdã) sua brejeirice nordestina da Serra da Formiga – RN “lugar que não consta do mapa do Brasil”, como ela própria diz. Nas terras de Van Gogh batalhou e, depois de muita “ralação”, conseguiu um lugar ao sol (nem tanto assim, pois o sol lá não chega a ser essas coisas...).

 

“Acabei de descobrir que dei certo!”, assim ela conclui o seu livro de narrativas acerca de suas venturas e desventuras pelos Países Baixos. 

 

Hoje ela se encontra na África do Sul, onde está terminando de preparar mais um livro de narrativas, o qual aguardo com ansiedade. Enquanto isso, dá continuidade à editoria do jornal “Papagaio” (que existe desde 1992), em versão bilíngüe, português e holandês. Atua também como correspondente free-lancer para a Rádio Nederland. 

 

Querida, matuta, estamos esperando que você venha a Natal no fim do ano para novas trocas de alegrias e para que possamos desfrutar "ao vivo e a cores" do brilho dos seus mil olhos de formiga, que ampliam nossa visão de mundo. E compartilhar da brejeirice do seu sorriso franco.

 



Escrito por José de Castro às 12h54
[] [envie esta mensagem]



POEMA

MAGIA

 

O poeta nunca está só.

A solidão do poeta

é magia que transforma

o silêncio da noite

em preciosa companhia.

 

(José de Castro, in Antologia Literária 3 – SPVA/RN, 2003)

Escrito por José de Castro às 01h09
[] [envie esta mensagem]




[ ver mensagens anteriores ]