| |
EM TEMPOS DE ELEIÇÃO
Para não dizerem que “Balaio Literário” não fez nenhuma crítica a esse período eleitoreiro, vamos lá:
POEMINHA CORRUPTO
Político corrupto é ave de rapina:
tem garra ferina, ávida de propina.
Aos poderosos sempre se inclina:
ao padre, venera a batina,
aos militares, o brilho da botina
(servir de lacaio é sua sina).
Seu mau cheiro sobe à narina feito perfume-fedentina.
Lavagem de dinheiro é sua faxina.
Corrupção, a luz que o ilumina.
Mentira e falsidade, alimentos de rotina.
A verdade, por convicção, o político elimina.
(transparência com ele não combina)
Sua língua, bífida e sibilina, a trapaça sempre rumina.
O pobre discrimina e à justiça declina,
maleável feito gelatina.
Seu partido tem sabor de anilina.
Sua urna é a latrina, e o olhar, gélido, calcina.
Por onde passa, haja trapaça e ruína!
Enfim, o torto, o injusto e o malfeito, sobremaneira, o fascina.
(José de Castro, in “Quem brinca em serviço – textos de humor”. Natal/RN: Sebo Vermelho, 2003)
Pense nisso na hora de votar. E faça a melhor escolha possível, usando o bom senso e a sua capacidade de cidadão consciente.
Esse poema lhe faz lembrar alguma coisa, algum país, algum político que você conhece? Pode desabafar, que as eleições estão próximas...
Escrito por José de Castro às 08h12
[]
[envie esta mensagem]
LITERATURA INFANTIL (Parte 4)
JOSÉ PAULO PAES
A REVOLTA DAS PALAVRAS
Neste livro o autor cria uma fábula moderna, que acontece dentro de um dicionário, em que as palavras resolvem “aprontar” com todos aqueles que as utilizam de maneira incorreta, principalmente os comerciantes, com suas propagandas enganosas e os políticos com suas eternas promessas impossíveis de serem cumpridas. As duas personagens principais são a Verdade e a Mentira, palavras que têm o uso sempre deturpado.
No decorrer da narrativa, há um questionamento acerca do poeta, que para alguns usa as palavras de forma mentirosa. Mas a Verdade e a Mentira acodem em sua defesa, dizendo:
“ – A poesia diz as coisas de modo tão original, tão fora do comum, que parece estar mentindo o tempo todo...”
Não vou revelar o final da história, para deixá-los curiosos e com vontade de adquirir o livro.
(José Paulo Paes, “A revolta das palavras: uma fábula moderna”. Desenhos de Ângela Lago. SP: Cia. das Letrinhas, 1999.)
Para finalizar, um poema de um outro livro do autor.
ANA E O PERNILONGO
1.
Toda semana
Eu me lembro da Ana.
Para mim não há semAna
sem Ana.
2.
Havia um pernilongo
chamado Lino
que tocava violino.
Mas era tão pequenino
o Lino
e tocava tão fino
o seu violino
que nunca ouvi o Lino
nem vi o Lino.
(José Paulo Paes, in “Poemas para brincar”. Ilustrações de Luiz Maia. SP: Ática, 2000.)
Escrito por José de Castro às 18h40
[]
[envie esta mensagem]
LITERATURA INFANTIL (Parte 3)
JOSÉ PAULO PAES (1926 – 1998)
RI MELHOR QUEM RI PRIMEIRO
Esse livro foi um dos últimos projetos de José Paulo Paes, que selecionou e traduziu de diversos idiomas 31 poemas para crianças – e para adultos inteligentes – como gosta de frisar. Engloba autores como Bertolt Brecht, Lewis Carrol, La Fontaine, Federico García Lorca, Jacques Prévert, Gianni Rodari, e até o nosso querido Vinicius de Morais, dentre tantos outros.
Esta obra reúne também um time de ilustradores de primeira, como Eliardo França, Ricardo Azevedo, Ângela Lago, Roger Mello, Ciça Fittipaldi, Walter Ono, Jô Oliveira, dentre outros.
ARTISTA ESQUECIDO (Yánnis Ritsos, poeta grego – 1909 – 1990)
Um desenhista, durante a tarde, desenhou um trem.
O último vagão soltou-se do papel
e voltou sozinho para o depósito.
Exatamente nesse vagão é que estava sentado o desenhista.
NOJENTO (Anônimo)
Na casa de pensão onde estou morando,
tudo logo envelhece, pelo que vejo.
Há longos cabelos brancos na manteiga
e manchas verdes de mofo sobre o queijo.
Quando o cão morreu, serviram-nos salsichas,
e quando morreu o gato, lebre ensopada.
Quando o dono da pensão morreu, mudei-me:
costela frita é prato que não me agrada.
(in Quem ri melhor ri primeiro: poemas para crianças – e adultos inteligentes. Seleção e tradução de José Paulo Paes. SP: Cia das Letrinhas, 1998)
Escrito por José de Castro às 11h31
[]
[envie esta mensagem]
LITERATURA INFANTIL (Parte 2)
JOSÉ PAULO PAES
Dando prosseguimento, Balaio Literário brinda o leitor com mais alguns poemas desse inusitado autor.
EXAGEROS
“(...)
2.
Noite escura.
Completo negrume.
Até parece que puseram fraldas
nos vaga-lumes.
3.
D. Pedro I resolveu subir
á montanha mais alta do mundo.
Tanto tempo demorou subindo,
que quando chegou lá em cima
já era D. Pedro II.
(...)”
(José Paulo Paes, in “É isso ali”. RJ: Salamandra, 1984)
ADIVINHA DOS PEIXES
Quem tem cama no mar? O camarão.
Quem é sardenta? Adivinha. A sardinha.
Quem não paga o robalo? Quem roubá-lo.
Quem é o barão do mar? Só tubarão.
Gosta a lagosta do lago? Ela gosta.
Quantos pés cada pescada tem? Hem?
Quem pesca alegria? O pescador?
Quem pôs o polvo em polvorosa? A rosa.
(José Paulo Paes, in “É isso ali”. RJ: Salamandra, 1984)
Escrito por José de Castro às 10h43
[]
[envie esta mensagem]
LITERATURA INFANTIL (Parte I)
JOSÉ PAULO PAES (1926 - 1998)
Esse é um autor que admiro muito e do qual procuro sempre fazer releituras, seguindo o conselho do grande Borges, que dizia que reler é mais importante do que ler.
José Paulo Paes, além de autor, foi excelente tradutor de obras importantes para o mundo infanto-juvenil, como “Ri melhor quem ri primeiro”, (SP: Cia das Letrinhas, 1998) que tem o subtítulo: poemas para crianças (e adultos inteligentes). E “Os encontros de um caracol aventureiro e outros poemas de Federico García Lorca”. (SP: Ática, 2001).
Esse paulista de Taquaritinga fez faculdade em Curitiba, estudou química e chegou a trabalhar num laboratório. Mas terminou por conseguir um emprego numa editora e lá, entre muitos livros, aprendeu a ler sozinho em inglês, francês, italiano, alemão, espanhol e até mesmo o grego e o latim.
Escreveu sete livros de poesias para crianças e traduziu outros três. Em toda a sua obra percebe-se um trato brincalhão com as palavras, como nos livros “Lé com Cré” (SP: Ática, 1996), “É isso ali” (RJ: Salamandra, 1984) e “Poemas para brincar” (SP: Ática 2000), que foi laureado com o Prêmio Jabuti/1991 de Melhor Livro Infantil e Melhor Ilustração de Livro Infantil e Juvenil (ilustração de Luz Maia).
Esse autor, com sua obra sensível, inteligente e brincalhona vem influenciando toda uma geração de novos escritores, podendo citar, como sendo o caso mais típico, o do mineiro Leo Cunha, que será abordado brevemente aqui no Balaio Literário.
Infelizmente José Paulo Paes deixou de produzir suas obras aqui nesse plano terreno. Acredito que hoje está brincando de fazer poemas com as estrelas e espalhando seu bom humor pela Via Láctea afora.
CEMITÉRIO
1.
“Aqui jaz um leão
chamado Augusto.
Deu um urro tão forte,
mas um urro tão forte,
que morreu de susto.
2.
Aqui jaz uma pulga
chamada Cida.
Desgostosa da vida,
tomou inseticida:
Era uma pulga suiCida.
(...)”
(José Paulo Paes, in “Poemas para brincar”. SP: Ática, 2000)
Escrito por José de Castro às 10h29
[]
[envie esta mensagem]
LANÇAMENTO: FELICE
LISBETH LIMA DE OLIVEIRA
Acabei de chegar do lançamento do novo livro de poemas da paraibana-potiguar Lisbeth Lima de Oliveira, o “Felice”.
O Palácio da Cultura estava bem animado, com várias presenças ilustres, destacando-se o poeta Diógenes da Cunha Lima, que fez a saudação à autora, o crítico literário e professor Tarcísio Gurgel, o jornalista Tácito Costa, Zé Martins, que é presidente da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte, dentre outros.
Havia muita música, descontração e aconteceu uma performance bem bonita, com apresentação de poemas do livro recém-lançado.
“Felice” traz um conjunto de poemas de amor bem trabalhados graficamente, de maneira despojada, numa diagramação que agrada aos olhos. Mas o importante mesmo é o modo como a temática é desenvolvida pela autora, que em vários poemas brinca com as palavras, extraindo um sabor mágico, pueril, que encanta.
Vou premiar o leitor com um dos poemas, para atiçar a vontade de ir atrás e adquirir o livro. Um poema de primavera, para fechar a noite.
PRINTEMPS
Por baixo de teu vestido de flores esvoaçantes,
teu corpo perfumado experimenta mais uma primavera
que parece ser mais intensa e bela
porque aprendeu a florescer com a dignidade dos anos.
(Lisbeth Lima de Oliveira, in “Felice” - Natal/RN: Sebo Vermelho; Campina Grande/PB: Bagagem, 2004).)
Escrito por José de Castro às 21h52
[]
[envie esta mensagem]
CONVITE POÉTICO
E você, prezado leitor ou leitora, tem algum poema de saudação à primavera? Se tiver, pode me enviar que eu publico aqui no blog. Por favor, enviem para o e-mail: jdecastro@digi.com.br
Vamos, lá, poetas e poetisas... Arrisquem, que a flor da palavra é mágica e faz desabrochar emoções...
Escrito por José de Castro às 09h27
[]
[envie esta mensagem]
POEMA
PRIMAVERA MÁGICA
"Meu coração caminha pelas ruas
bem no início dessa primavera
e colhe a primeira flor mágica
que dança aos ventos de setembro."
(José de Castro, Natal/RN)
Escrito por José de Castro às 09h20
[]
[envie esta mensagem]
PARA A PRIMEIRA VEZ
SEDUÇÃO PRIMAVERIL
“Deixe-me colher
a primeira pétala
do teu sexo em flor...”
(José de Castro, Natal/RN, 1978)
Escrito por José de Castro às 09h06
[]
[envie esta mensagem]
PARA SAUDAR A PRIMAVERA
TROVA PRIMAVERIL
Iguais parecem quando a vida as solta
mas, no entanto, elas não são iguais:
a primavera passa e depois volta e a mocidade não nos volta mais.
(autor desconhecido)
Esses versos fazem parte de uma canção maior, da minha infância. Não me lembro o autor. Mas, sempre achei a idéia interessante, pois traz uma reflexão simples e verdadeira.
Feliz é aquele que comemora o seu aniversário contando primaveras, um bom sinal da percepção de que nós, apesar de tudo, somos eternos. E a primavera sempre traz uma conotação de realização de sonhos, de esperança e de renascimento.
Vamos todos florescer e inebriar o mundo com o perfume dos nossos ideais. Que tal?
Escrito por José de Castro às 07h57
[]
[envie esta mensagem]
PARA ANUNCIAR A PRIMAVERA
“Balaio Literário” saúda a entrada da primavera publicando diversos poemas e abre com esses delicados versos de Leonor Scliar-Cabral, desejando que todos possam colher as suaves fragrâncias de uma nova humanidade que precisa renascer, mais sensível e mais dedicada à construção de um mundo melhor. Apesar de tudo...
ACÁCIAS
Setembro explode em ouro pelos galhos
e filtra um sol tímido nas pétalas
desmanchadas na calha dos telhados,
depois da chuva.
A cada primavera renasço,
baudelairiana em vinho me inebrio,
envelhecido em ânforas de outrora,
doce quimera.
Óleos preciosos como ensina a Bíblia
deslizo ao longo do corpo sedento
como se me aguardasse um leito em núpcias
com o meu cúmplice.
Em translação fatal prossegue a Terra
e tudo se repete a cada ano
e a primavera volta e o meu anseio,
insatisfeito.
(Leonor Scliar-Cabral, in De senectute erotica, São Paulo: Massao Ohno Editor, 1998)
Escrito por José de Castro às 07h42
[]
[envie esta mensagem]
HUMOR
ANÚNCIOS DESCLASSIFICADOS
Troca-se uma galinha de Angola por três Patos de Minas.
***
Mulher separada troca pensão por hotel de três estrelas.
***
Troca-se chá das cinco por trem das onze. Não se aceita relógio na transação.
***
Vende-se um relógio cuco com o passarinho estragado.
***
Perdeu-se uma matilha de cães. Um saco de gatos para quem encontrar.
***
Herói morto procura covarde vivo para ajuste de contas.
***
Troca-se um piso salarial por um apartamento de cobertura.
***
(José de Castro, in “Quem brinca em serviço – textos de humor”, Natal:RN, Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 22h36
[]
[envie esta mensagem]
POEMA
MAGIA
Na poesia do teu espanto
li um olho triste
e outro nem tanto.
O fato é que o tempo
não faz caso das horas
perdidas em lamento
e um segundo
do teu sorriso
vale mais que o firmamento.
(José de Castro, in “Coletânea dos novos poetas natalenses”, vol. 2, Coleção In- Fólio, FUNCARTE/Biblioteca Esmeraldo Siqueira, Natal/RN, 2000)
Escrito por José de Castro às 22h33
[]
[envie esta mensagem]
DIA DO RADIALISTA
“Balaio Literário” presta hoje uma homenagem a todos os profissionais do microfone, que atuam em emissoras de rádio, quer seja através das ondas hertzianas ou da WEB.
O rádio vem sobrevivendo heroicamente ao longo dos anos num universo cada vez mais congestionado de estímulos veiculados pelas novas mídias, incluindo-se a televisão. Com o advento da Internet, o rádio passou a ter mais uma janela para viajar pelo mundo afora e levar suas músicas e mensagens.
Os profissionais do rádio sabem que é preciso inovar sempre. E que também é necessário que se utilize com mais criatividade e propriedade toda a riqueza da linguagem desse veículo tão popular, fazendo dele uma trincheira para a veiculação de arte, cultura, educação e entretenimento.
Oxalá cada um dos profissionais do microfone saibam utilizar o rádio como um veículo de construção da cidadania, para que possamos usufruir desse bem coletivo que são as ondas hertzianas, com dignidade e ética.
Links sugeridos:
http://www.fmu.ufrn.br (para ouvir a FM-Universitária de Natal, com sua programação rica e diferenciada das congêneres)
www.radiofavelafm.com.br (para conhecer um pouco da rádio que foi pirata por 20 anos e hoje está na WEB, com sua concessão regularizada)
www.vozesbrasileira.com.br (para ouvir depoimentos clássicos de grandes ícones do rádio, inclusive Roquette Pinto, o pai do rádio brasileiro e trechos de programas de humor, como o “Balança mas não Cai” e o “PRK-30”, além das irmãs Carmen e Aurora Miranda, dentre outros)
www.radioclick.globo.com.(para ouvir a série "Jingles Inesquecíveis", incluindo-se o das "Pílulas de vida do Dr. Ross", que fazem bem ao fígado de todos nós, dentre outros...)
Escrito por José de Castro às 10h40
[]
[envie esta mensagem]
PARA MEDITAR
ORAÇÃO
“Deixe que seus gestos sejam espontâneos e cheios de vida. Deixe que sua própria percepção guie seu estilo de vida, seu padrão de vida. Não deixe que ninguém decida por você, pois isso seria um pecado. Por que é um pecado? Porque você nunca estará presente. Permanecerá superficial, será hipócrita.
Não pergunte a ninguém como rezar. Deixe que o momento decida, deixe que o momento seja decisivo, e a verdade daquele momento deverá ser sua oração. Uma vez que você tenha permitido que a verdade do momento tome conta de seu ser, começará a crescer e conhecerá a beleza profunda da oração. Você estará trilhando o caminho.”
(Osho, in O livro da transformação, Rio de Janeiro: Sextante, 2003)
Escrito por José de Castro às 20h42
[]
[envie esta mensagem]
LANÇAMENTO DE POESIA
LISBETH LIMA DE OLIVEIRA
No ano de 2001, tive o prazer de integrar, junto com os escritores Eduardo Gosson e Anchieta Fernandes, a comissão julgadora do Prêmio Othoniel Menezes, da Fundação Capitania das Artes – FUNCART, da Prefeitura de Natal. Foi o ano em que Lisbeth Lima de Oliveira foi laureada em primeiro lugar com a obra “Dormência”, publicada em 2002 pelo Sebo Vermelho de Natal/RN.
Neste mês de setembro de 2004, no dia 23, a poetisa estará lançando “Felice”, seu mais recente livro de poesias, editado pelo Sebo Vermelho e Editora Bagagem, no encerramento do seminário “Mercado Literário”, que está sendo realizado no Palácio da Cultura. O lançamento será às 19 horas. Vale a pena ir lá conferir, adquirir o livro e se deliciar com a poesia dessa paraibana que hoje se faz potiguar.
Para o leitor, um dos poemas do livro “Dormência”, que tem orelha de Tarcísio Gurgel, apresentação de Eduardo Gosson e prefácio do poeta Diógenes da Cunha Lima.
HAMSTER
Os gansos de minha avó
vigiam como cachorros.
Os cachorros de minha avó
são mansos como gatos.
Os gatos de minha avó
não caçam ratos,
porque os ratos de minha avó
vivem em gaiolas, como pássaros.
(Lisbeth Lima de Oliveira, in “Dormência”, Natal/RN: Sebo Vermelho, 2002)
Escrito por José de Castro às 20h23
[]
[envie esta mensagem]
POEMA MUSICAL
Esse poema foi musicado pela minha amiga Lenilza Alves (Lelé de Natal), que tem uma bela voz. Lembro-me que ela o cantou pelo menos uma vez, num show que fez no Restaurante Universitário e num dos bares da noite de Natal, onde se apresentava.
ENIGMA
Essa voz trancada na garganta,
esse grito trincado na goela,
esse espanto tingido no rosto,
essa ferida aberta na epiderme.
E lá por dentro roendo, roendo,
esse verme, estranho verme,
doendo, doendo, roendo, comendo...
Esse verme que se esconde
atrás do nome, codinome secreto.
Chama, inflama, clama, reclama,
num silêncio que é completo.
Ah! esse nome escondido no pensamento
(José de Castro – Natal/RN, 1978)
Eu tenho uma gravação dessa música, com voz e violão da própria compositora. Só que já faz algum tempo que não vejo a Lelé... Alguém tem notícias dela para me dar?
Escrito por José de Castro às 20h26
[]
[envie esta mensagem]
POEMA - CECÍLIA MEIRELES
Esse “Cântico” chegou-me em fevereiro de 1983, enviado pelo meu irmão Neemias de Castro, que residia àquela época na cidade de São Paulo e hoje mora em Sorocaba. Desde aquela época, esse poema tem servido de inspiração e de orientação para o meu caminhar pela vida afora.
CÂNTICOS
Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Crie outros, para visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.
(Meireles, Cecília, in Cânticos, 2a. edição. Ed. Moderna, 1983
Escrito por José de Castro às 19h57
[]
[envie esta mensagem]
[ ver mensagens anteriores ]
|