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POESIA FEMININA (Parte 2)
DIVA CUNHA
ARMADILHA DE VIDRO
Nesse mesmo livro, a poetisa nos confidencia:
“Verbo suculento
escorre pela garganta
dourada trança
gotas de cristal
toda perfeição
mais que contida
é cópia esbatida
do original.”
Assim é Armadilha de Vidro... gotas de cristal de translúcida poesia... e muito mais.
(Diva Cunha. Armadilha de Vidro. Natal/RN: Una, 2004)
Em tempo: UNA é a editora de outra poetisa, a Marize Castro, que terá a sua literatura brevemente comentada aqui no Balaio Literário.
Escrito por José de Castro às 08h07
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POESIA FEMININA (Parte 1)
DIVA CUNHA
ARMADILHA DE VIDRO
A poesia potiguar feminina está cada dia se mostrando mais e mais vigorosa, com representantes de muita expressão e sensibilidade.
As contribuições contemporâneas da moderna poesia norte-rio-grandense passam por Marize Castro, Carmen Vasconcelos, Iracema Macedo, Lisbeth Lima de Oliveira e, com certeza, Diva Cunha, dentre outros valores que despontam, como Jaciana Medeiros e Jeanne de Araújo.
Como diria, Moacy Cirne, nos últimos 7 anos as mulheres têm dominado o cenário poético norte-rio-grandense.
Dentre essas vozes femininas, ouve-se o verso singular de Diva Cunha (Canto de página, 1986; A palavra estampada, 1993; Coração de Lata, 1996) que acaba de lançar o seu “Armadilha de Vidro”.
Nesse livro Diva Cunha desfia sensualidades, ancora versos em reminiscências e constrói narrativas sobre o próprio fazer poético, quando o livro se transforma em “armadilha de letras”:
“Um verso me sacode por inteiro
sua agulha me ferroa
latejo na letra escura
grossa como sangue
escorro nesse fio
entre a parede da cozinha
o batente do jardim
tomada pela força do poema
vazo de mim.”
Mais adiante, essa armadilha nos diz que:
“Há um rol infindo de palavras
pedindo urgente uma pronunciação
aponte alguém com o dedo sagaz,
o ponto exato onde esse
líquido começou a fluir.”
(continua)
Escrito por José de Castro às 08h01
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TV-U - MEMÓRIA VIVA (Parte 2)
ARNON DE ANDRADE
O programa "Memóriva Viva", gravado com o professor Arnon de Andrade deverá ir ao ar somente em janeiro do próximo ano.
Assim, o telespectador terá a oportunidade de, quando o programa for ao ar, ouvir todos esses depoimentos – e outros - dessa personalidade, que dão visibilidade à sua trajetória de vida nas áreas da comunicação e da educação. Mas, acima de tudo, que revelam a face de um educador comprometido e contemporâneo de todos os desafios que perpassam o cenário da educação no Rio Grande do Norte, contribuindo para iluminar a um pouco mais a nossa compreensão acerca do Brasil de ontem e de hoje.
Enquanto isso, recomendo que assistam a outros “Memória Viva”, sempre aos sábados às 19 horas, com um programa da série antiga e aos domingos às 18 horas, com programas recentes, cada vez com um convidado diferente.
No próximo sábado, 02/10, terá a reexibição de Lauro Pinto (advogado e escritor) e no domingo, dia 03/10, o programa será com João Ururahy (jornalista).
MEMORIA VIVA
TV-UNIVERSITÁRIA
Produção de Ana Maria Cocentino Ramos
Produção executiva de Joana D'Arc Arruda Câmara
Apresentação: Tarcísio Gurgel e convidados
Sábados: 19 horas (reapresentação)
Domingos: 18 horas (programa inédito)
Escrito por José de Castro às 12h02
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TV-U - MEMÓRIA VIVA (Parte 1)
ARNON ALBERTO MASCARENHAS DE ANDRADE
Ontem, no último dia de setembro, participei da gravação de um programa da série “Memória Viva”, na TV-Universitária, tendo como convidado o professor Arnon de Andrade, hoje Chefe do Departamento de Educação da UFRN, e que também já foi Diretor Geral da TV-U, nos anos 70.
O programa tem como apresentador e âncora o escritor e crítico literário Tarcísio Gurgel, e contou com a participação da Diretora da Biblioteca Central Zila Mamede, da UFRN, professora Rildeci Medeiros.
Durante uma hora inteira nós três tivemos a oportunidade de conversar com o professor Arnon de Andrade, que nos contou detalhes curiosos de sua vida, desde a sua terra natal (Ibicaraí, que um dia foi Palestina), um pequeno povoado da Bahia, até a sua chegada a Salvador e suas demais andanças pelo Brasil: São José dos Campos – SP, Natal-RN e a cidade de Caen-França, onde fez o seu doutorado em educação.
“Eu não escolhi a minha profissão. Foi a profissão que me escolheu”, afirmou Arnon logo no começo da entrevista, tendo confidenciado que nasceu dentro de uma escola, a escola que funcionava em sua casa, onde sua mãe era professora e alfabetizadora.
“Aos cinco anos de idade fui inscrito por meu pai no programa radiofônico Hora da Criança, em Salvador.” – revelou Arnon de Andrade.
Assim, logo na primeira infância já se desenhava uma trajetória de educador e de profissional dos meios de comunicação, uma vez que ele teve a oportunidade de, ao longo de sua vida, vivenciar diversas experiências em rádio, cinema, tv e jornal.
O professor Arnon nos revelou ter conhecido, ainda criança, Anísio Teixeira e Monteiro Lobato. Orgulhoso, confidenciou a sua inserção na geração Glauber Rocha, Paulo Gil Soares, Quarteto em Cy - e outras tantas personalidades da vida cultural brasileira que tiveram origem em terras baianas.
O golpe de abril de 64 veio a flagrá-lo como responsável por um jornal de militância de esquerda, razão que o levou a ser punido e demitido pela indústria petrolífera. Esteve foragido da repressão. Anos duros, anos de chumbo, dos quais não guarda boas recordações.
E assim, aos poucos, fomos rememorando toda a trajetória do professor Arnon de Andrade, sua passagem por São José dos Campos -SP, onde fez especialização em televisão educativa e um mestrado em tecnologia educacional, além de ter sido um dos protagonistas do Projeto SACI, de teleducação.
O programa discorreu sobre a sua vinda para Natal/RN, as experiências vivenciadas junto à TV-Universitária como diretor geral, além de sua inserção como coordenador do Sistema de Teleducação do Rio Grande do Norte - SITERN, sua viagem para a França, onde concluiu, em tempo recorde de 3 anos, o doutorado em educação. (continua)
Escrito por José de Castro às 11h58
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BARTOLOMEU E O OLHO DE VIDRO
Hoje recebi o seguinte e-mail do Bartolomeu Campos de Queirós:
De: "Bartolomeu"
PARA: "José de Castro"
Assunto: Re: Blog e comentário obra
Data: quinta-feira, 30 de setembro de 2004 14:30
José de Castro, amigo meu.
Hoje, com mais tempo, abri seu site. Fiquei feliz.
Ele está bonito e acordando no leitor, escrituras que andavam esquecidas.
Se gostei de reler Elias e Leo, também fiquei alegre com os seus poemas.
Gostaria de saber que vc está escrevendo bastante.
Tem que nos presentear bastante com seu espírito sensível.
Fiquei emocionado com suas considerações sobre o Olho de Vidro do Meu Avô.
Uma apreciação de um crítico como vc vem me confirmar que valeu escrever.
Espero encontrá-lo mais e além do site.
Abraços e saudades do Bartolomeu.
Escrito por José de Castro às 19h38
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TEATRO - Alguém lá fora (estréia)
Recebi o seguinte e-mail da minha amiga Clotilde Tavares, que repasso para todos vocês que visitam o Balaio Literário.
"Oi minha gente,
Vamos ficar ligados hoje para a estréia do "Alguém Lá Fora", com texto e direção de Clotilde Tavares.
O espetáculo vai ser na Casa da Ribeira, hoje, quinta-feira, dia 30/09, às nove da noite. A seguir, entra em temporada no mesmo local por quatro sextas-feiras seguidas: 01, 08, 15 e 22 de outubro.
O telefone da casa da Ribeira é 211-7710, e você pode ligar para reservar seu ingresso, pois são apenas 164 lugares, numerados.
Visite a página do espetáculo para mais informações.
Um abraço, e espero você por lá.
Escrito por José de Castro às 09h32
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SARAU - POÉTICAS POTIGUARES - V
CARLOS NEWTON JÚNIOR
Ontem à noite a A.S.LIVROS abrigou mais um sarau Poéticas Potiguares, sob a coordenação do crítico literário Eduardo Gosson. O homenageado foi o professor e escritor Carlos Newton Júnior, autor de “Canudos – Poema dos Quinhentos”, dentre outras obras.
Foi uma noite bonita, que contou com a presença de vários escritores, podendo-se destacar Paulo de Tarso, Alexandre Abrantes, Moacy Cirne, Lisbeth Lima de Oliveira, o poeta Xavier, além alunos do Colégio Geo, dentre outros.
A atriz Nara Kelly (Clowns de Shakespeare) e o ator Henrique Fontes (Casa da Ribeira) interpretaram trechos da obra “Canudos”, mais especificamente “O guardião do estandarte”:
“- De onde vens, devoto,
de longe ou perto?
- Venho do alto Sertão,
onde o mundo é mais deserto...
- Mas é longe o lugar
que não conheço?
- O Sertão é sempre longe,
lugar sem fim nem começo...”
Carlos Newton participa do Movimento Armorial, e defendeu tese de doutorado dedicada à obra do escritor Ariano Suassuna. Escreve também sonetos, tendo um livro publicado dentro deste gênero, “O homem só e outros poemas”. Natal: Edição do autor, 1993.
O Sarau Poéticas Potiguares terá prosseguimento nos próximos meses com suas homenagens a outros escritores como Nivaldete Ferreira (outubro), Jaciana Medeiros (novembro) e Moacy Cirne (dezembro), que fechará o último evento desse ano.
Não deixem de vir participar, pois noite de poesia enche a alma de esperança e nos ajuda a construir um mundo melhor, mais sensível e mais acordado de suas rotinas.
(Sarau Poéticas Potiguares. A. S. LIVROS. Última quarta-feira de cada mês. 20 horas)
Escrito por José de Castro às 09h06
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BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS (especial)
O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ
Da prateleira da livraria um olho de vidro me espiava. Meu coração disparou... Eu estava diante da capa de um livro que esperava há muito tempo: O OLHO DE VIDRO DO MEU AVÔ, de Bartolomeu Campos de Queirós. Finalmente Bartolomeu conseguira escrever um dos livros que lhe faltava.
Quando esteve em Natal, em junho de 2000, o autor já havia mencionado a sua intenção de escrever sobre as coisas que aquele olho de vidro não havia visto. O olho de vidro, azul da cor do mar que lhe ficou de herança do avô.
É impossível não se emocionar diante da leitura dessa obra singular, de memórias do neto que também queria possuir um olho assim, desses feitos em São Paulo. “Ter meu olho me espiando de longe. Quem sabe, eu me conheceria melhor? Conheceria minha superfície sem precisar de espelho. Um olho capaz de vigiar o meu sono, me protegendo dos fantasmas que nos visitam se descuidamos de nós...” confessa num dos trechos da obra.
Esse livro, como toda a obra de Bartolomeu, traz uma escrita apurada, com as palavras escolhidas com um cuidado artesanal profundo. Bartolomeu inscreve as palavras no papel de maneira que sempre dizem mais do que pode parecer à primeira vista. É um texto substantivo, no qual não há lugar para gratuidades. Tudo tem um sentido preciso, sugestivo, que vai envolvendo o leitor na trama sensível das reminiscências.
“Sempre gostei do sabor das lágrimas. Minhas dores duravam só o tempo de a lágrima chegar a minha boca. Quando eu passava a língua e sentia o sal, esquecia a dor. A lágrima sempre salgou meu sofrimento com seu mistério... (...) Minhas tristezas estão maduras. Só tristezas verdes precisam de água para crescer. Também não sei a cor das tristezas maduras. Devem ser transparentes.” – rememora noutro trecho do livro.
“Ninguém esgota o mundo com o olhar, mesmo possuindo dois olhos sem vidro.”
Mas o avô de Bartolomeu, possuindo um só olho de vidro conseguia ver muito além dos oceanos, para além de tudo. Ele via onde a imaginação consegue alcançar. Como os livros de Bartolomeu Campos de Queirós, que inebriam os nossos olhos simples de mortais, esses nossos olhos sem vidro, que procuram enxergar mais que nos é concedido contemplar nessa curta existência de leitores premiados pela dádiva de sua escrita.
(Bartolomeu Campos de Queirós. O olho de vidro do meu avô. SP: Moderna, 2004.)
Escrito por José de Castro às 17h05
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POEMA
ELEGIA
Tua alma e teu canto azul
são companheiros da lua de cobre
que faz espreguiçar
o girassol dos meus cabelos.
(José de Castro, Natal/RN-2000)
Escrito por José de Castro às 08h51
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REFLEXÃO POÉTICA
COLHEITA
Pela manhã,
acordo as palavras
e colho a poesia.
(José de Castro, inédito, Natal/RN, 2004)
Escrito por José de Castro às 10h28
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LEO CUNHA (Parte 5)
O GATO DE ESTIMAÇÃO
Esse livro nasce das brincadeiras que o Leo Cunha faz com a palavra “estimação”, explorando divertidas possibilidades de leituras a partir de vários troca letras e permutas de acentuação.
São versos rimados e muito engraçados.
“É justo que ele se queixe:
ex-bicho de estimação,
era gato, virou cão;
só falta virar peixe.”
(Leo Cunha, in O gato de estimação. Ilustrações de Ana Raquel. SP: Paulinas, 1996)
Assim, de maneira descontraída, o autor mostra toda a riqueza e as analogias possíveis na nossa língua, explorando diversas leituras significativas de uma mesma palavra, decorrentes de pequenas transformações.
Do mesmo autor, recomendo também a leitura de “O menino que não mascava chiclê”, que recebeu o selo de Altamente Recomendável pela FNLIJ, 1995, na categoria Poesia.
“O problema do Bê
é que não gostava
de chicletar chiclê.
Nem mesmo um pedacim,
nem mesmo um doze avos
dum chiclezinho assim.”
(Leo Cunha, in O menino que não mascava chiclê. Ilustrações de Marilda Castanha. SP: Paulinas, 1994)
Escrito por José de Castro às 00h08
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LEO CUNHA (Parte 4)
O SABIÁ E A GIRAFA
Esse livro começa com um gostoso jogo de palavras:
“Sabia que o sabiá sabia assobiar? Dizia o meu avô. Sabia que o sabiá sabia avoar? Avoa, avô, avoa. E de ave ele entendia.”
E, nessa mesma linguagem ágil e poética, Leo Cunha vai tecendo as malhas dessa “fábula” sobre as possibilidades de superação de dificuldades através da ajuda mútua. Mostra dois seres tão díspares se completando, cada um contribuindo para que o outro realize o seu sonho de existência plena: o sabiá conseguindo “avoar” e a girafa podendo “cantar”.
“Um dia, o sabiá dizia, um dia eu consigo avoar.”
“Mas a girafa da minha história era muito diferente. A muda queria mudar. Não o mundo, mas a vida. Queria enganar o silêncio que lhe esganava a garganta...”
(Leo Cunha, in O sabiá e a girafa. Ilustrações de Graça Lima. RJ: Nova Fronteira, 1993)
Escrito por José de Castro às 00h07
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LEO CUNHA (Parte 3)
POEMAS LAMBUZADOS
Esse livro é dedicado pelo Leo Cunha ao José Paulo Paes. São poemas criativos, bem humorados nos quais Leo também, à moda de Paes, brinca com as palavras.
TREM DOIDO
Pi-u-í
faz o trem bem-comportado.
Pi-u-i-u-í
faz o trem exagerado.
Piauí
faz o trem no meu estado.
Peraí...
que esse trem já está cansado.
DÚVIDA DOÍDA
Se lhe dou um enorme susto
você fica tremendo.
Mas se lhe dou um tremendo susto
você fica enorme?
Se sabe a resposta,
me informe.
(Leo Cunha, in Poemas Lambuzados. Ilustrações Flavio Del Carlo. SP: Saraiva, 1999)
Escrito por José de Castro às 00h05
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LEO CUNHA (Parte 2)
CLAVE DE LUA
Esse é um livro CD, ou um CD-livro, como diria o Edmir Perroti, diretor editorial da Paulinas, que publicou a obra.
São poemas do Leo Cunha sobre os diversos instrumentos musicais, ilustrados por pinturas do artista plástico mineiro Eliardo França. Esses poemas foram musicados por Renato Lemos, Luiz Macedo e André Abujamra, com arranjos de uma sonoridade de rara beleza.
O resultado foi fantástico, numa obra singular que, literalmente, canta e encanta. Uma obra prima para os olhos e para os ouvidos.
Tive a grata satisfação de participar do painel de lançamento desse livro aqui em Natal, no ano de 2001, por ocasião de um dos encontros do Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, mantido pela Casa da Leitura e pelo Ministério da Cultura, tendo escrito um artigo para o jornal cultural “O Galo”, da Fundação José Augusto, intitulado: “Uma tarde mágica em clave de lua”, em dezembro de 2001.
Ali no auditório do CEFET, naquela tarde mágica, pudemos cantar junto com Leo Cunha, Renato Lemos e Eliardo França os versos-título da obra:
CLAVE DE LUA
Toda a noite em minha rua,
faça chuva ou faça estrela,
o galo vizinho esgoela
seu gogó em clave de lua.
Cantamos também a BALADAINHA: “essa balada / cá na garganta / é para a fada / que me encanta... essa balada / quase herege / é para a fada / que me protege... essa balada / baladainha / é para a fada / da poesia.”, dentre outros versos mágicos...
(Leo Cunha, in Clave de Lua. Pinturas de Eliardo França. SP: Paulinas, 2001)
Escrito por José de Castro às 00h04
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LEO CUNHA (Parte 1)
EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA ESTRELA
Leo Cunha é mineiro de Bocaiúva, mas vive e trabalha em Belo Horizonte. Tem vários livros escritos, dentre os quais podemos citar: Em boca fechada não entra estrela, O sabiá e a girafa, O menino que não mascava chiclê, Sonho passado a limpo, Que bicho mordeu?, Conversa para boy dormir, Clave de Lua e Quase tudo na arca de Noé (para o público infantil). E Pela estrada afora e As pilhas fracas do tempo (para o público adolescente).
Em conjunto com outros autores, inclusive Bartolomeu Campos Queirós e Neusa Sorrenti publicou “Olhar de bichos”, assinando a história “A praça, a pressa e a preguiça”.
O seu “As pilhas fracas do Tempo” ganhou o 1º lugar (júri adulto) no Concurso Nacional de Literatura Infanto-Juvenil João de Barro (1992).
Este escritor confessa sua grande admiração por José Paulo Paes e também por Sylvia Orthof, ambos já vivendo entre as estrelas infinitas.
A prosa de Leo Cunha, assim como a sua poesia, é muito esmerada e trabalhada com um carinho de artesão da palavra.
No seu livro “Em boca fechada não entra estrela”, nota-se uma grande preocupação com o ritmo e até mesmo com a rima. É uma prosa-rimada, uma prosa poética, deliciosa de se ler.
“Mas Guta, de tão estrelada, não via perigo em nada. Nunca via aquelas criaturas nas suas andanças escuras. Só via mesmo as estrelas, e não se cansava de vê-las...”
“Guta ficou calada. Os pais não entendiam nada. Aquele era um bicho encantado: tinha engolido uma estrela, era também estrelado...”
(Leo Cunha, in Em boca fechada não entra estrela. Ilustrações de Roger Mello. RJ: Ediouro, 1995)
Escrito por José de Castro às 00h02
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POEMA
GUAXUPÉ
(Para o Elias José)
Lá em Minas
tem a cidade de Guaxupé.
Quando dá sol e chuva
tem casamento de viúva?
Em Guaxupé
deve ter pé-de-manga
pé-de-goiaba,
e, quem sabe, gabiroba e pitanga?
Não sei se tem
guaxinim em Guaxupé.
Guaiamum?
Nunca se viu nenhum...
Deve ter guarda-noturno
em Guaxupé.
E também guarda-chuva.
Talvez, até bicho-de-pé!
Em Guaxupé
tem flores,
tem abelhas,
e tem mel.
O mel
da poesia
enxuta
do Elias José.
(José de Castro, inédito. Natal/RN, 27/09/04)
Escrito por José de Castro às 08h56
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ELIAS JOSÉ (Parte 6)
A CIDADE QUE PERDEU O SEU MAR
O escritor Elias José, além de poesia, sabe trabalhar uma boa prosa. Assim, delicia-se o leitor com as histórias inventadas por ele em “O mundo todo revirado”, “O que conta no faz-de-conta”, “O amigão de todo o mundo” e “A cidade que perdeu o seu mar”, dentre outros.
No livro “A cidade que perdeu o seu mar”, ele conta a história da chegada de Manuelão Marinheiro à pequena cidade que contava apenas com um rio mínimo, e que foi inundada pelas histórias de mar, no vozeirão do visitante com suas tatuagens de navios, âncoras, algas, corais e peixes. A pequena cidade se amplia através das narrativas daquele personagem e encanta a todos. Até que, misteriosamente, sem se despedir, o forte marinheiro deixa a cidadezinha órfã de sua verve imaginativa.
“Nós fomos crescendo, crescendo, crescendo... E o mar foi sumindo, aos poucos, devagarinho, até desaparecer da cidadezinha pra ficar só dentro de nós.
E o Manuelão continuou cada vez mais forte nos nossos sonhos e lembranças. E ele ficará sempre, enquanto o mar for mistério e imensidão...”
(Elias José, in A cidade que perdeu o seu mar. Ilustrações Marilda Castanha. SP: Paulus, 1998)
Escrito por José de Castro às 00h14
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ELIAS JOSÉ (Parte 5)
MISTÉRIO
Eu avisei, tornei a avisar
e ninguém me levou a sério:
na caixa de marimbondo
moram o perigo e o mistério.
Quem não acreditou se ferrou!...
(Elias José, in Bicho que te quero livre. SP: Moderna, 1998)
Escrito por José de Castro às 00h12
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ELIAS JOSÉ (Parte 4)
PAZ
Paz é a palavra
mais bela e azul;
é sinônimo de amor
sem mágoas,
que deixa a cabeça
solta e leve.
Pena que a palavra PAZ
seja frágil
e tão facilmente
violentada.
(Elias José, in O jogo das palavras mágicas. Ilustrações Nelson Cruz. SP: Paulinas, 1996)
MISTURADA
Maria das Mercês Marcelino
Ama Mário Marcos Meneses
E marcou no muro do museu:
M. M. M AMA DOIDAMENTE M. M. M.
E Mário Marcos Meneses,
Que ama Nadir Nogueira Neves,
Mas não ama Maria das Mercês Marcelino,
Marcou no mesmo muro abaixo:
PENA, PORQUE M. M. M.,
AMADO POR M. M. M.,
AMA N. N. N.
E alguém veio e completou:
QUE AMA UM TAL DE R. R. R.
(Elias José, in No balance do abecê. Ilustrações Helena Alexandrino. SP: Paulus, 1996)
Escrito por José de Castro às 00h11
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ELIAS JOSÉ (Parte 3)
CAIXA MÁGICA DE SURPRESA
Um livro
é uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.
Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.
Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe.
Um livro
é parque de diversões
cheio de sonhos coloridos,
cheio de doces sortidos,
cheio de luz e balões.
Um livro
é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata no mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.
(Elias José, in Caixa Mágica de surpresa. Ilustrações Helena Alexandrino. SP: Paulus, 1996)
Escrito por José de Castro às 00h09
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ELIAS JOSÉ (Parte 2)
O JOGO DA FANTASIA
Elias José já esteve inúmeras vezes em Natal, a convite do Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, ocasiões em que pudemos conversar muito sobre poesia e sobre a arte de escrever para crianças.
Ele me deu muitas dicas para o livro infantil “A marreca de Rebeca e outros poemas”, sendo que considero este autor como uma espécie de “padrinho nas letras”, mas, acima de tudo, um amigo.
Pela qualidade de sua obra, Elias José já recebeu os mais importantes prêmios da literatura brasileira, tais como o Jabuti, vários Altamente Recomendável, o APCA, O Melhor para Criança e o Prêmio Adolfo Aizen (duas vezes), prêmios do governo do Estado do Paraná e do Distrito Federal. O seu livro “O Jogo da Fantasia” ganhou o prêmio Odylo Costa Filho, o Melhor Livro de Poesia da FNLIJ, 2001.
Tem cerca de cem livros publicados, alguns deles com mais de 20 edições. Ao todo, tem mais de três milhões de exemplares vendidos, o que mostra a qualidade e a aceitação de seu trabalho literário, principalmente junto ao público infantil.
Dentre seus inúmeros livros, pode-se citar: Caixa mágica de surpresa; Um pouco de tudo; No balancê do abecê; O Jogo das palavras mágicas; O que conta no faz-de-conta; O fantasma no porão; Viagem criada, emoção dobrada; Segredinhos de amor; Felix e seu fole fedem, O jogo da fantasia; O mundo todo revirado; A cidade que perdeu o seu mar; O amigão de todo o mundo; Bicho que te quero livre; Lua no brejo; A gargalhada mais gostosa do mundo; Que confusão, seu Adão; História sorridente de unhas e dentes; Cantos de encantamento; além de vários livros da coleção (Re) fabulando, e outros.
FALANDO DE ESTRELAS
A estrela maior
não é a estrela que mais brilha.
A estrela maior
é a estrela que compartilha
e oferece às outras estrelas
a sua mão.
A estrela maior
é aquela que se junta às outras
e acredita na constelação.
A estrela maior
é aquela que brilha e joga
na vida e nas outras estrelas
fé e poesia.
(Elias José, in O jogo da fantasia. Ilustrações Cláudia Scatamacchia. SP: Paulus, 2001)
Escrito por José de Castro às 19h13
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ELIAS JOSÉ (Parte 1)
A POESIA PEDE PASSAGEM
Esse é um dos inúmeros livros do criativo e sensível Elias José, escritor mineiro, nascido em Santa Cruz da Prata, mas que vive em Guaxupé, também em Minas.
É um livro destinado a ser “um guia para levar a poesia às escolas”, editado pela Paulus, no ano de 2003, em comemoração aos 20 anos de publicação de seus dois primeiros livros de poesia: “Caixa mágica de surpresa” e “Um pouco de tudo”.
Nesse livro, Elias José dá uma série de dicas sobre a arte de fazer poesia e sobre a sua presença no cotidiano.
“Há poesia nas coisas que nos emocionam quando olhamos, tocamos, cheiramos, ouvimos ou provamos. Por exemplo, há poesia em um pôr-do-sol, em uma incrível lua cheia ou em um arco-íris. São coisas bonitas, poesias para os nossos olhos.”
(Elias José, in A poesia pede passagem. SP: Paulus, 2003)
Sobre a palavra poética, Elias José preferiu, nesse mesmo livro, escrever um poema:
PALAVRA
A palavra PALAVRA
é cheia de mistérios,
azedume e doçura,
liberdade e prisão,
verdade e mentira,
alegria e tristeza,
vôo livre e perigo.
A palavra PALAVRA
vive nas penas dos poetas,
nas conversas dos namorados,
nas mesquinhas disputas,
nas lutas pela verdade,
nas mentiras infames,
nas combinações com o diabo,
nos monólogos com Deus.
É um livro muito útil para poetas iniciantes e para professores que trabalham a poesia na escola, seja com crianças, adolescentes ou mesmo com adultos. Eu costumo sempre dizer que a poesia não tem idade.
Escrito por José de Castro às 18h12
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BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS (Parte 5)
O ESCRITOR DOS SILÊNCIOS
Bartolomeu Campos Queirós também escreve poemas, como os que podem ser encontrados em seu livro “Diário de Classe” e no “Cavaleiros das Sete Luas”, que tem projeto gráfico de Paulo Bernardo Ferreira Vaz.
Diário de Classe é uma chave de leitura para diversos nomes, para as palavras que se escondem dentro da identidade de cada um de nós.
“Se olho demoradamente para uma palavra descubro, dentro dela, outras tantas palavras. Assim, cada palavra contém muitas leituras e sentidos.”
“Luzia lia
na luz da lua.
Lia, lia,
...e ia!”
(BCQ, in Diário de Classe. Capa e ilustrações de Claudia Scatacchia; SP: Moderna, 1992)
“Foram sete anéis de ouro
sete alianças de prata
sete coroas em flores
trançadas por sete amores.
De herança aos sete filhos
somados a outros sete
deram o tesouro das luas
deram as sete maravilhas.
Os sete cavalos brancos
com sete pares de asas
retornaram aos sete céus:
sete notícias ao rei.
(BCQ, in Cavaleiros das sete luas. BH: Miguilim, 1997)
Escrito por José de Castro às 15h14
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BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS (Parte 4)
O ESCRITOR DOS SILÊNCIOS
Com o livro “Coração não toma sol”, que traz desenhos de Mário Cafiero, Bartolomeu Campos Queirós ganhou o Prêmio 1ª Bienal do livro de Belo Horizonte/1986 e o Prêmio Orígenes Lessa – FNLIJ/1987.
A respeito desse livro, assim escreveu Henriqueta Lisboa, na última capa dessa obra:
“(..) Este seu novo livro Coração não toma sol (porém sim amor), comprova e documenta sua íntima força lírica, seu infalível bom gosto e sua original capacidade inventiva, em estilo que se distingue pela singeleza. Tal poema, pela mesma autenticidade e espontaneidade, não possui destinatário. É como o azul do céu, propício a todos. Tem o dom de atrair a criança pela graça ingênua da narrativa; e o adulto afeiçoado à naturalidade das origens, pelo que oferece de transparente. O esquema do texto é simbólico e revela, sem acabar de revelar, um segredo de amor: “Não era fácil ser coração”. Em verdade, não é fácil ser coração. A menos que se transfigurem em música, assim como faz Bartolomeu, os momentos angustiantes da existência. (...)”
“Mas o castelo se enganou ao supor que o coração estava tomando sol. Ele tomou foi amor. Coração não toma sol.”
(BCQ, in Coração não toma sol. 11 ed. – São Paulo: FTD, 1998)
Escrito por José de Castro às 14h53
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BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS (Parte 3)
O ESCRITOR DOS SILÊNCIOS
“Nunca aprendi a leitura das mãos, mas, se as contemplo, acerto, sempre, pela fantasia.” (BCQ)
Em “Ciganos”, Bartolomeu Campos Queirós narra uma história comovente de desafeto, de desamor, de busca de atenção: o menino que sofre a perda da mãe e que ansiava pelo carinho do pai. Não os tendo, inventa exílios e até um possível rapto pelos ciganos que acampam em sua cidade. O que ele mais desejava era o acolhimento, o afeto, a emoção de um aconchego paterno, de alguém próximo.
É uma história triste, de um real reinventado, numa linguagem que nos fala à alma e ao coração.
“Mas era essa mesma tarde que ameaçava o menino. Seu pai voltaria do trabalho, e ele desconhecia a maneira de como esperá-lo. Se limpo, se alimentado, se escondido no quarto ou no quintal entre sombras. Sua ansiedade era não saber como deveria estar para ser amado.”
(Bartolomeu Campos Queirós, in “Ciganos”. BH: Miguilim, 1997)
No meu exemplar de “Ciganos”, guardo a preciosidade da dedicatória que o autor me fez, em letra miúda:
“Para José de Castro: como os ciganos, eu lhe desejo uma vida cheia de amor e futuro. Bartolomeu Queirós.”
“A vida é verbo. Passado, presente, futuro. A vida é cheia de enigmas. Quem colocou a água dentro do coco?”.
(BCQ, in Revista Preá, nº 4, Dez/2003, FJA – Natal/RN, p. 38)
Escrito por José de Castro às 14h26
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BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS (Parte 2)
O ESCRITOR DOS SILÊNCIOS
Esse escritor já esteve em Natal por várias vezes, sendo que tive a oportunidade de escrever dois artigos sobre o seu trabalho no jornal “O Galo” e na revista de cultura “PREÁ”, ambos da Fundação José Augusto – Natal/RN.
No “O Galo” o trabalho publicado foi: “A noite mágica do olho de vidro e das galinhas coloridas: um encontro com Bartolomeu Campos Queirós”, no qual comentei alguns aspectos da palestra por ele proferida no auditório do CEFET/RN, por ocasião do Encontro do PROLER/RN realizado em junho de 2000, incluindo a curiosa relação que o autor mantém com o legado deixado por seu avô: um olho de vidro.
“Ás vezes acordo de madrugada e vou até a sala para observar se o olho ainda está lá, se ninguém o subtraiu. E confessa que a sua maior vontade é escrever sobre as coisas que não foram vistas por aquele olho.”
(BCQ, in “O Galo”,Ano XII, nº 08, Agosto 2000, FJA, Natal/RN, artigo de José de Castro, p. 23)
Na revista PREÁ, de nº 4, Dezembro de 2003, publiquei o texto “Recortes do pensamento de Bartolomeu Campos Queirós”, no qual procurei sintetizar as principais idéias do autor sobre as relações entre arte, literatura e educação.
“A arte hoje é o grande motor da educação, pois a arte vai além do concreto. A literatura é uma oportunidade de expressar um desejo que eu não conheço. A literatura infantil é aquela que você não dá conta de guardar para si, que você tem o prazer e a urgência de dividir com o outro...”
“A escola, assim como o homem, precisa saber das coisas de cor, de coração, saber com o coração. Essa é a grande sabedoria.”
“Sou frágil o suficiente para uma palavra me machucar, como sou forte o bastante para uma palavra me ressuscitar.”
(BCQ, in Recortes do pensamento de Bartolomeu Campos Queirós, revista PREÁ, nº 4, Dez-2003, FJA, Natal/RN, artigo de José de Castro, pp 38-39)
Escrito por José de Castro às 12h36
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BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRÓS (Parte 1)
O ESCRITOR DOS SILÊNCIOS
“Eu escrevo sobre aquilo que me falta”. (BCQ)
A literatura para este escritor do interior de Minas é uma forma de busca dos silêncios, de preenchimento e resgate criativo das reminiscências, principalmente da infância. Bartolomeu Campos Queirós é um autor sensível, de uma escrita feita de magia e encantamentos, que remete a mergulhos profundos nos segredos escondidos no porão das lembranças que todos nós temos.
Já recebeu os mais significativos prêmios literários brasileiros: Selo de Ouro da FNLIJ, Prêmio Bienal de São Paulo, Prêmio Prefeitura de Belo Horizonte, Jabuti, Orígenes Lessa, Diploma de Honra da IBBY de Londres, Bienal de Belo Horizonte, Adolfo Aizen, dentre outros.
O seu primeiro livro publicado foi “O peixe e o pássaro” (1971). A este, outros se seguiram, como “Pedro”, “Onde tem bruxa tem fada”, “Mário”, “Raul”, “Estória em três atos”, “Cavaleiro das sete luas”, “Ciganos”, “Indez”, “Correspondência”, “Escritura”, “Diário de Classe”, “A faca afiada”, "Coração não toma sol", “Por parte de pai”, “Ler, escrever e fazer conta de cabeça”, “Flora”, “Mais com mais dá menos”.
Bartolomeu Campos Queirós vive com a sua agenda cheia de compromissos por esse Brasil afora, principalmente ministrando palestras nos seminários promovidos pelo Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER, coordenado pela Casa da Leitura, Ministério da Cultura e que tem o apoio do Ministério da Educação e de Secretarias de Educação em quase todos os estados da federação.
Escrito por José de Castro às 12h31
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