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HUMOR
EM TEMPOS DE FUTEB0L
Hoje à noite a seleção brasileira irá enfrentar a Venezuela, pelas eliminatórias, buscando uma vaga na próxima Copa do Mundo, em 2006.
Então, vejamos o que um dos nossos craques da bola fez.
COISAS DE CRAQUE
Driblou o primeiro, driblou o segundo e driblou o terceiro. Driblou o juiz, os dois bandeirinhas, o pipoqueiro, driblou toda a arquibancada. Quando viu, estava fora do estádio. Aí começou tudo de novo: driblou o ônibus, driblou o táxi, o povo, o vizinho e a esposa. São driblou a amante porque ela já o tinha colocado fora da jogada.
(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN, Sebo Vermelho, 2003)
FRASES DE EFEITO
Quando os políticos erram, o Brasil costuma dar certo
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Dívida interna é aquilo que o governo deve ao povo, porque fica mandando dinheiro pra fora.
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Se Deus é por nós, quem será contra nós? Ora, todos os políticos que mal acabamos de eleger...
(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN, Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 18h54
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HUMOR
MAX NUNES
Um dos nossos autores de textos humorísticos mais criativos é o Max Nunes, que nos anos 50 escreveu para o programa de rádio “Balança mas não cai”, que depois migrou para a televisão, também com sucesso. Um dos momentos hilários desses programas, tanto no rádio quanto na televisão, era o dos diálogos entre o Primo Pobre e o Primo Rico.
Max Nunes hoje dá assessoria ao programa do Jô Soares, na Globo. Continua afiado nos textos e na criação de gags e bordões.
Ruy Castro selecionou e organizou dois livros que resgatam os escritos desse genial autor, que são “Uma pulga na camisola: o máximo de Max Nunes. SP: Cia. das Letras, 1996” e “O pescoço da girafa: pílulas de humor por Max Nunes. SP: Cia. das Letras, 1997”.
“O fim do mundo já não nos preocupa tanto quanto o fim do mês.”
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“O pára-quedas é o único meio de transporte que, quando enguiça, chega mais rápido.”
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“Toda vez que aumentam o pão, o pão diminui.”
(Max Nunes in “Uma pulga na camisola”.)
Escrito por José de Castro às 14h04
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LITERATURA INFANTIL
SYLVIA ORTHOFF
Hoje resolvi falar um pouquinho de uma das autoras infantis mais criativas de que se tem notícia nas letras brasileiras. É a Sylvia Orthof, que, infelizmente, já não se encontra mais nesse plano terreno. Mas deixou um legado fantástico de muitos livros, todos eles trazendo a marca registrada de sua linguagem irreverente, moleca e gostosa.
Sylvia era de bem com a vida, apresentando sempre sua visão bem humorada e singular das coisas.
Dentre os vários personagens criados, quero destacar a Fada Fofa. E recomendar a leitura do “Manual de boas maneiras das fadas” (RJ: Ediouro, 1995) e o “Fada Fofa em Paris” (RJ: Ediouro, 1998), ambos ilustrados pela própria Sylvia Orthof.
“A fada Danusa,
atraente musa,
ensina que, ao ir ao banheiro,
uma fada deve abrir as torneiras
da pia e do chuveiro,
pra ninguém escutar algum som...
que não tenha um refinado tom!” (Manual de boas maneiras das Fadas)
“Fada Fofa (que surpresa)
foi passar, mas ficou presa
no arco, toda entalada.
A pulga puxava a fada,
o Arco destriunfava,
ficava roxo, estalava...
A gorducha não passava!” (Fada Fofa em Paris)
Recomendo, ainda, a leitura de “Um pipi choveu aqui”, que traz desenhos de Tato, publicado no ano de 2001, pela Global. É uma história baseada em fato real, ocorrido com o filho de Sylvia, Pedro, que, não tendo autorização da professora para ir ao banheiro, acabou fazendo xixi nas calças...
Outros livros da autora pela Global: “Rabiscos e Rabantes” e “Histórias curtas e birutas”.
Escrito por José de Castro às 20h02
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PARABÉNS DA CLOTILDE
De: "Clotilde Tavares" <clonews@digi.com.br>
PARA: "José de Castro" <jdecastro@digi.com.br>; <HardyGuedes@aol.com>
Assunto: Parabens pela materia
Data: quarta-feira, 6 de outubro de 2004 14:07
Amigos Castro e Hardy,
Foi um prazer ver a matéria no jornal, e maior prazer ainda em tê-los indicado, como podem ver no e-mail abaixo. Fiquei toda orgulhosa que parecia uma mãe indicando o filho! (claro que não tenho idade pra ser mãe de vocês...)
Eu ia inclusive telefonar para ambos avisando que a Tribuna ia entrar em contato, mas os compromissos me fizeram esquecer. Enfim, parabéns pelo destaque: vocês merecem.
Clotilde
Escrito por José de Castro às 15h18
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LITERATURA INFANTIL NA TRIBUNA
No caderno “Viver” de hoje, da Tribuna do Norte, o repórter Yuno Silva publicou uma matéria sobre a literatura infantil aqui no Rio Grande do Norte e falou a respeito da importância de se incentivar a leitura junto a esse público.
A reportagem destaca o meu livro A Marreca de Rebeca e outros poemas, publicado pela Paulus Editora, com ilustrações de Eliardo França e também os trabalhos dos autores Hardy Guedes (O nome de todas as coisas – HPG Projetos Culturais para a Infância) e Nivaldete Ferreira (Psilinha Cosmo de Caramelo), obra que recebeu menção honrosa da União Brasileira de Escritores (RJ).
Hardy Guedes, além de escritor, é também músico e compositor, já tendo gravado dois discos “Não é para tocar no rádio” e “Pra cantar na escola”. Atualmente está trabalhando na produção do CD “Onde o sonho me levar”.
A coleção “O nome de todas as coisas”, desse autor, aborda a origem Tupi dos nomes de diversos animais. Ele busca divulgar a cultura popular brasileira, procurando valorizar e destacar o que é nosso.
Nivaldete Ferreira é professora da UFRN e está retornando de Portugal, onde foi completar parte de sua pesquisa de doutorado. É uma autora bem criativa e que mostra, em sua literatura infantil, todo o respeito que tem por esse exigente público.
O meu livro (A marreca de Rebeca e outros poemas), está sendo adotado pelo Colégio Executivo nesse ano, sendo que nos anos anteriores já foi utilizado nas salas de aula do Ensino Fundamental do Colégio das Neves e na Educação Infantil do Chapeuzinho Vermelho. Foi também adotado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo em 2003.
Já tenho dois outros livros infantis escritos e inéditos, sendo um deles uma peça infanto-juvenil, “Ópera dos Gatos”, com o texto em versos livres, além de conter desafios de viola e Internet. O outro é também de poemas para crianças.
Estou atualmente terminando mais um livro de poemas infantis, o qual vou tentar publicação, o que se caracteriza como uma batalha difícil. No Brasil, escrever é mais fácil do que publicar.
Escrito por José de Castro às 15h10
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CRÔNICAS (Parte III e IV)
III
Tudo o que transmuta um dia já foi. Eu vi o beijo se transformando em dor e a dor se abrindo em flores de poesia, no amarelo dos girassóis. Países distantes já me habitaram. Já fui canoeiro das Gerais e garimpeiro de bateia encantada nos grotões e córregos coruscantes. Já fui pássaro aprisionado em mil gaiolas e já tive fugas o bastante para deslumbrar os carcereiros do tempo. Minha solidão já foi triste, mas hoje não dói mais. Aprendi com o silêncio das pedras. E, como a seiva das plantas, aprendi a ser profundo, recatado e prolífero. Uma só gota de orvalho, um único raio de sol bastam para o meu germinar. A sabedoria repousa na simplicidade. E na cumplicidade com tudo o que se faz próximo.
IV
A lágrima da criança triste é o meu mar morto. É a sombra que eu não quis atravessar. O cálice indesejado. A criança triste é a ferida que me sangra a alma. É preciso pão e poesia para iluminar em sua face o sorriso. O sorriso das crianças traz a paz e a alegria de que o mundo precisa. A alegria é um bichinho que sabe dormir histórias e lendas. E que pula cedo da cama. Alimenta-se de néctar, orvalho, estrela, nenúfares e fadas. E do som dos arco-íris. E de mais sorrisos de crianças plenas. A vida é isso: pão, poesia, criança, carinho, sorriso. Quantas vidas te restam para transmutar toda a tristeza do mundo em sorriso?
(José de Castro, Antologia Literária 2 – SPVA/RN, 2000)
Escrito por José de Castro às 14h39
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CRÔNICAS
I
Quantas vidas ainda me restam para aprimorar os sentimentos e a emoção? Quantos sorrisos ainda a desabrochar? Quantos carinhos e flores colher? Quantas estradas percorrer? Amores a conquistar?
No silêncio da noite a resposta é como a lua de prata brilhando enigmas. O caminhar das estrelas me atinge por inteiro. Sonhos. Devaneios. Tudo é magia. Sou feito de distâncias e proximidades. Os opostos não me intrigam. A beleza é relativa ao perfume da flor e à essência da sinceridade.
II
A maquilagem do homem costuma ser a dubiedade. Quantas identidades você tem? Quantos seres habitam dentro de você? A enormidade dos desejos do homem se estende ao infinito e cora ao sol, na linha do horizonte. Poucos sabem o caminho a seguir. Eu caminho assim mesmo, a esmo. Vou abrindo trilhas e variantes, dobrando esquinas e me alumbrando nas praças. As borboletas do tempo me fascinam. Sei a cor do desatino. Mas ainda sei tecer esperanças e colher migalhas de eternidade. Sei a brevidade do instante, do relâmpago, da centelha na ponta da estrela de fogo cadente. Eu mesmo sou risco efêmero na luz das águas, no dorso das ondas espumantes ao luar.
(José de Castro, in Antologia Literária II - SPVA/RN, 2000)
Escrito por José de Castro às 20h41
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ENVELHECER
Antes, todos os caminhos iam.
Agora todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.
(Mário Quintana. Nova antologia poética. RJ: Globo, 1985)
Escrito por José de Castro às 22h28
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DECEPÇÃO E ESPERANÇA
De tudo resta um pouco. Menos o texto que acabei de escrever e não foi salvo.
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Há sempre uma esperança quando o Word recupera.
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Bem pior é a dor de saber que o arquivo foi definitivamente corrompido.
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Tudo indica que travou. Vou ter que reiniciar.
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É preciso cultivar a paciência de reeescrever. Ou de praticar a boa memória.
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Memória boa era a do meu HD. Até o dia em que deu "pau".
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É preciso saber compartilhar. Quer vir para a minha rede?
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Tô esperando você para fazer a conexão.
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Ame-me ou e-mail-me. Amém.
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Escrito por José de Castro às 21h58
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POEMA
A FORMALÍSTICA
“O poeta cerebral tomou café sem açúcar
e foi pro gabinete concentrar-se.
Seu lápis é um bisturi
que ele afia na pedra,
na pedra calcinada das palavras,
imagem que elegeu porque ama a dificuldade,
o efeito respeitoso que produz
seu trato com o dicionário.
Faz três horas já que estuma as musas.
O dia arde... (...)”
(Adélia Prado. Poesia reunida. SP: Siciliano, 1991)
Escrito por José de Castro às 21h25
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REFLEXÕES NOTURNAS
A vida prossegue inexorável, desfiando surpresas e fabricando alumbramentos. Alguém me pede um sorriso. Eu me ofereço por inteiro. A alma não sabe calar. E fala de estrelas e de tantos outros mistérios. Fico aqui observando o silêncio que fabrica sonhos. Há uma esquina dobrando-se e me convidando. Um café. Um encontro. Quem sabe o amanhã? A espera delicada dos minutos escoando. Os grãos da ampulheta desafiam a eternidade. Eu fico cismando, inebriado e querendo partir. O destino é incerto, mas a viagem está ali me espreitando. Eu sei que estou indo. Todos nós estamos partindo, mesmo sem saber para onde. A vida prossegue inexorável, desfilando a emoção dos momentos, do milagre de cada centímetro, de cada milímetro de existência. Sinto. Pressinto. Um anjo me tocou a face. Entrego-me a um choro suave. A lágrima é a magia que purifica por dentro...A vida é o milagre de cada momento. A vida é mistério e alumbramento.
Escrito por José de Castro às 21h15
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POESIA TORTA
O habitáculo do homúnculo
que tinha um furúnculo no cerebelo
fica no fim do mundo,
pertinho de onde o Judas
perdeu as botas.
O buraco é uma retorta
bem torta,
sem portas e de telha furada,
um saco sem fundo,
princípio de abismo
perdido no mundo,
tapera destrambelhada.
Mas tem honradez
inscrita na placa de entrada:
“Cães e gatos são bem-vindos.
É proibida a entrada
de políticos e assemelhados.”
(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal-RN, Sebo Vermelho, 2003)
Escrito por José de Castro às 19h16
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