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BALAIO LITERÁRIO


POEMA

CENAS NOTURNAS

 

Os pássaros do meu coração

sobrevoam a noite calma.

A estrela oculta de meus olhos

se espanta no teu colo de lua-menina

viajando sonhos.

Dois corações quietos

se enamoram no silêncio da noite.

O amanhã são flores.

 

(José de Castro, Natal/RN, 2000)  



Escrito por José de Castro às 17h26
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REFLEXÕES NOTURNAS

OBSERVAÇÃO DE SI

 

O entardecer sempre me pareceu nostálgico. Creio que isso se deve a lembranças de infância, a momentos de solidão vividos nessa hora. E talvez também ao fato de, sempre às seis da tarde, todas as emissoras de rádio lá em Minas tocarem a Ave Maria de Gounod, na hora do Ângelus.  Eu sempre achei essa música muito bonita, mas também muito triste. Então, ao entardecer, quando o sol se vai e se aproxima a hora das estrelas, a memória auditiva aciona essa melodia dentro de mim e costuma bater uma enorme tristeza.

 

Hoje tento reverter isso através de contemplar o colorido de um pôr-de-sol. E de aproveitar esses momentos para exercícios de introspecção. São oportunidades que podem ser utilizadas para crescimento pessoal através da ampliação dos níveis de consciência.

 

É importante que a gente faça exercícios de “consciência de si”, aumentando a capacidade perceptiva. Alguns costumam chamar isso de meditação. Não importa o nome. O que é preciso é o exercício da observação e da atenção. Osho, que foi um iluminado, costumava dizer que o mais importante de tudo é a percepção. Percepção de si e do mundo à sua volta. Mas, principalmente, a percepção interior. Que tal exercitar uma “viagem para dentro de si”? Descubra qual é o seu momento mágico e... boa viagem.

 

  



Escrito por José de Castro às 19h58
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POESIA FEMININA (Parte 2)

JEANNE ARAÚJO

 

RELICÁRIO

 

Renascida de dores alheias

disfarço minha delicadeza.

Deram-me tempo gasto

por uma eternidade

de ânsias caídas

sobre árvores mortas.

Renasço debaixo das cinzas

brotando em transe

prenha como um cenáculo.

Tateio as arestas cortantes

da palavra

para fazer-me fruto

da raiz sedenta do outro.

 

(Jeanne Araújo, in 20 poetas novos. Natal/RN: FJA, 2003)

 

 



Escrito por José de Castro às 17h02
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POESIA FEMININA

JEANNE ARAÚJO

 

A poesia de Jeanne Araújo levou-a a ser distinguida em duas edições do Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães, da Fundação José Augusto de Natal/RN. No ano de 2001, classificou-se em segundo lugar e em 2002 recebeu uma menção honrosa.

 

Teve parte de seus poemas publicados nos livros “13 poetas novos” (FJA, 2002) e “20 poetas novos” (FJA, 2003).

 

Jeanne Araújo é natural de Acari – RN, e hoje é professora da rede estadual pública de ensino do Rio Grande do Norte. Faz parte da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN – SPVA/RN.

 

Balaio Literário traz dois poemas dessa autora, que se inscreve num elenco de escritoras que ajudam a revelar parte da alma feminina através da sutileza e do poder de sugestão da palavra poética, o que já se caracteriza como uma marca registrada no Estado do RN. 

 

 

 

FOME

 

Colaram-se em mim

uma fome antiga de palavras

e uma sede assoberbada de cantigas.

O meu desejo seria par de asas

colocadas aos meus pés

e um carro de boi cantante

selado à minha língua.

Porque de pó e terra escura

é a minha estrada

e eu tenho pressa de descobrir

o que há por trás

da tessitura.

 

(Jeanne Araújo, in 13 poetas novos. Natal/RN: FJA, 2002)

 



Escrito por José de Castro às 17h01
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POEMA DA LU

Com a devida autorização da Luciana Melo, Balaio Literário publica o seu post do dia 13/10/04.   

COMO SE FOSSE BRINCADEIRA DE RODA

A vida é uma ciranda, cirandinha.
Brincadeira de roda,
Idas e voltas.


Vitrine que se espatifa
A uma só pedrada.
Vidro que se desmancha no ar,
Ferindo os olhos d’alma
Impedindo-os de enxergar.


Mas eu não!
Eu vejo o olho do furacão,
Sinto o perfume do vento,
Mastigo a fome que me devora.


Ciranda, cirandinha.
Volta e meia,
Eu, inteira.

(LUCIANA MELO)

http://glossolalias.blogspot.com/

Quando há troca poética, a vida se torna mais interessante. Vamos intercambiar nossos alumbramentos e deixar fluir as emoções que afloram. E a vida segue girando. É a roda-ciranda...´Valeu, Lu...

 



Escrito por José de Castro às 01h38
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LITERATURA INFANTO-JUVENIL

SÉRGIO CAPPARELLI

 

Este é mais um mineiro que escreve para crianças. Estreou na literatura infanto-juvenil em 1979, com a novela “Os meninos da rua da Praia” (L&PM). Seu primeiro livro de poemas infantis foi publicado em 1983 (“Boi da cara preta”, também da L&PM).

 

Até hoje totaliza cerca de 30 títulos infanto-juvenis. Dentre eles, pode-se citar “Vovô fugiu de casa” (L&PM, 1982) e “As meninas da Praça da Alfândega” (L&PM, 1994), ambos distinguidos com o Prêmio Jabuti.

 

Sérgio Capparelli é professor do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, residindo em Porto Alegre há mais de 30 anos.

 

No ano de 2003, pela mesma L&PM, publicou o livro “111 poemas para crianças”, reunindo uma seleção dos seus poemas preferidos, aos quais foram agregados alguns  inéditos. Este livro é uma espécie de comemoração do aniversário de 20 anos do seu primeiro livro “Boi da cara preta”.

 

MACARRONADA

 

Macarrão, macarronada,

Nada

De tão bom, na panela,

Nela

A fome se consome,

Some

E depois se transforma

Forma

Macarrão, macarronada.

 

A TRAÇA POLIGLOGA

 

Uma traça, de trança,

Fez a mala

Foi à França.

 

Não sabendo falar francês,

Comeu um dicionário

De Inglês.

 

(Sérgio Capparelli, in “111 poemas para crianças”. Porto Alegre: L&PM, 2003)

 



Escrito por José de Castro às 13h12
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POEMAS

IMAGENS FUGIDIAS

 

1.

Estrelas de brilho sensual

fazem um “strip-tease”

de corpo inteiro no céu...

 

2.

Um girassol noturno

sorri amarelo

e se despetala inteiro ao luar.

 

3.

As borboletas do tempo

revoam à minha volta

e recendem a cravo e jasmim.

 

4.

Um arco-íris se desprende do céu

e, de mãos dadas com a lua,

vem espiar a chuva

se banhando ao pôr-do-sol.

 

5.

Um sonho encantado

navega rio abaixo, rio acima

em sua canoa prateada,

reluzindo saudades.

 

(José de Castro, in Coletânea dos novos poetas natalenses, vol. 1. Natal/RN: FUNCARTE, 2000)



Escrito por José de Castro às 18h21
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POEMAS

LEITURA

 

Eu leio as tuas entranhas completas

nos versos que escreves

com o fio do lápis

desse teu olhar profundo.

 

Não há rasuras

nas palavras perfeitas

da tua pele e de teus poros.

 

Não existe erro de revisão

nas páginas do teu corpo

aberto em sorriso e canção.

 

(José de Castro, Natal/RN, 2000)

 

 

OFERENDA

 

Eis em minhas mãos

a flor da amizade,

o perfume do carinho

e a essência do amor,

esse cristal puro

onde a alma vem se mirar.

 

(José de Castro, Natal/RN, 2000)

Escrito por José de Castro às 20h36
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SOBRE O AMOR

Recomendo a leitura do blog “El Gitano”, do Antonio Junior, que hoje está falando sobre o amor, de maneira bem sensível e autobiográfica:

 

Ando por Barcelona nesta iluminada tarde de outono sem procurar o amor, mas sabendo que ando para encontrá-lo. Cada imagem parecida com o amor provoca um silêncio ensudercedor, uma pausa, um vôo de borboleta, que logo passa tristemente. Trago uma fotografia de um amor inesquecível no coração, talvez para recordar que um dia fui amado.”

 

Todos nós deveríamos sempre parar um pouquinho para refletir a quantas andam os nossos amores, como esse sentimento está sendo vivenciado e sentido.

 

Confira o belo texto do cigano brasileiro em terras espanholas.

 

www.elgitano.blig.ig.com.br

Escrito por José de Castro às 14h56
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HORÓSCOPO POÉTICO

O horóscopo de todos os signos previu para hoje um belo dia para se ler poesia. Portanto, aí vai um poema para não se frustrar os astros.

 

 

CIRANDA, CIRANDINHA

 

O anel que tu me deste

não era de vidro.

O amor que tu me tinhas

não era pouco, nem muito.

Mas era suficiente para cirandar.

 

(Lisbeth Lima de Oliveira, in Dormência. Natal: Sebo Vermelho, 2002)

 



Escrito por José de Castro às 14h48
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