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BALAIO LITERÁRIO


LITERATURA INFANTO-JUVENIL

O CAVALO ALADO E OUTROS POEMAS

 

Saiu mais um título infanto-juvenil da Coleção Juventude, publicado por Mary & Eliardo França Editora junto com a Zit Editora: “O cavalo alado e outros poemas”, com escritos de Leo Cunha, Iacyr Anderson Freitas e Elias José.

 

Iacyr A. Freitas eu ainda não conhecia, sendo que já comentei aqui os trabalhos do Leo Cunha e do Elias José, autores mineiros já consagrados e com diversos prêmios em seu currículo. 

 

As ilustrações recebem a assinatura de Lucas França, que eu imagino ser filho do casal Mary e Eliardo França, os editores. 

 

Leo Cunha assina poemas sobre “barulhos e silêncios”:  “Não existe estrada comprida/só viajantes que se esquecem/de cantar...”

 

Elias José nos brinda com 14 poemas, inclusive o delicioso “Passaporte para o faz de conta”:

 

“A poesia é o passaporte/que nos transporta de sul a norte,/que nos transporta de ponta a ponta/ao país do Faz-de-Conta...”

 

Iacyr Anderson Freitas, que também é mineiro (Patrocínio do Muriaé), apresenta 14 poemas bem construídos, dentre os quais “Balaio Literário” destaca um trecho de “Lagartixa”:

 

“Pé ante pé,

a lagartixa

cerca o que até

então se espicha

no teto branco.

E a mosca mixa

vai para o flanco

da lagartixa...”

 

(O cavalo alado e outros poemas. Leo Cunha, Iacyr Anderson Freitas, Elias José; ilustrações de Lucas França. – Juiz de Fora: Mary e Eliardo França/Zit Editores, 2004)



Escrito por José de Castro às 19h06
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ORAÇÃO DO NERD

O BLOG NOSSO

DE CADA DIA

DAI-NOS HOJE,

AMÉM.



Escrito por José de Castro às 09h08
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HUMOR

CONJUGAÇÕES ESDRÚXULAS

Eu sou Carneiro.

Tu és Leão.

Ele é veado.

*****

Eu nado.

Tu bóias.

Ele se afoga.

*****

Eu sou a Nona de Beethoven.

Tu és a sétima arte.

Ele é a Quinta da Boa Vista.

*****

Eu te paquero.

Tu me cantas.

Ele te come.

*****

Eu vou para o céu.

Tu vais para o inferno.

Ele é ateu.

*****

Eu navego.

Tu velejas.

Ele não tem Internet.

*****

(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN: Sebo Vermelho, 2003.) 

 



Escrito por José de Castro às 08h59
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HUMOR

MILLÔR FERNANDES

Esnobar

é exigir café fervendo

e deixar esfriar.

*****

A nuvem atenua

o cansaço das pessoas

olharem a lua.

*****

Meu dinheiro

vem todo

do meu tinteiro.

 

(Millôr Fernandes, in HAI-KAIS. RJ: Nórdica, 1986)

 

 



Escrito por José de Castro às 08h54
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HUMOR

Cinco estorinhas coloridas

1.

Era uma linda mulher de olhos verdes. Usava pulseira verde e anéis com pedras verdes. Pintava o cabelo de verde. Vestia-se sempre com vestidos verdes. Adorava ouvir Nat King Cole cantando “Aquelles ojos verdes...” Torcia pelo Palmeiras, mas casou-se com um cruzeirense de olhos azuis. É um típico acidente de daltonismo crônico.

 

2.

Era um homem de olhos azuis. Usava um relógio de pulseira azul e tinha um anel com pedras azuis. Pintava a barba de azul (mas não era o Barba Azul). Vestia camisas azuis. Nascera em Pedra Azul. Adorava ouvir e cantar “blues”. Torcia pelo Cruzeiro. E casou-se com uma mulher que tinha os olhos azuis. Caso típico de coerência de cromia. Mas o filho deles virou militante do partido verde. Caso típico de traição cromática (ou cromossomática).

 

3.

Era um homem amarelo. Tinha os dentes amarelos. Cabelo todinho amarelo. Usava calças e camisas amarelas. Guiava apenas carros amarelos. A casa era toda pintada de amarelo. Sua namorada era também amarela. O seu animal de estimação era um pica-pau amarelo que flertava com um tucano também amarelo. Sua canção preferida era o “yellow submarine”. Morreu de febre amarela. Caso típico de humor negro.

 

4.

Era um homem vermelho. Tinha os olhos vermelhos. Era simpatizante do Khmer Vermelho. Usava roupas vermelhas. Seus sapatos eram vermelhos. Sua casa era toda vermelha. Casou-se com uma mulher negra. Seu filho nasceu rubro-negro. É um caso típico de coerência futebolística.

 

5.

Era um homem branco. Usava chapéu e terno branco. Calçava sapatos brancos (mas não era o homem do sapato branco). Seu cabelo era todinho branco. Só usava gravatas brancas. Colecionava armas brancas. Ia se casando com uma pele-vermelha. Mas, na hora do sim, deu-lhe um branco. Sua quase-esposa ficou azul de ódio. Aí, as coisas ficaram pretas pro lado dele, que amarelou. É um típico caso de overdose cromática.

 

(José de Castro, in Quem brinca em serviço. Natal/RN: Sebo Vermelho, 2003)

 

 



Escrito por José de Castro às 14h40
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SAUDADE

Uma funda saudade

me despetala

a alma por dentro.

(José de Castro)

 



Escrito por José de Castro às 13h10
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MEU NOVO LIVRO INFANTIL

Hoje conclui mais um livro de poemas infantis: “A cozinha da Maria Farinha: (poemas de mar)”.

 

Agora, segue-se a parte mais difícil: tentar a publicação junto às editoras.

 

Então, meus leitores adultos e mirins, torçam por mim.

 

Para dar um gostinho, vou colocar só a epígrafe do livro:

 

“No céu das águas

eu vi

a estrela do mar.

E no mar das estrelas

um navio de palavras

eu fiz navegar.”

 

Para atiçar a curiosidade, posso adiantar que tem poema de estrela do mar, de baleia, de polvo, de peixe-serra e até de sereia!

 

Quando conseguir publicar, vamos juntos, na poesia, embarcar...  

Escrito por José de Castro às 13h02
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POEMA

BUSCA

 

Esse teu silêncio

miúdo

fere fundo

o meu coração.

 

Que veredas

seduzem teus passos

e em que labirintos

se arriscam teus pensamentos?

 

(José de Castro)



Escrito por José de Castro às 11h00
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MINI-POEMA

Trago comigo

um segredo antigo

de saber me apaixonar

pela vida

a cada minuto

da existência....

 

(José de Castro)



Escrito por José de Castro às 10h54
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PEQUENA FÁBULA DE AMOR

Num abraço meigo, terno e cálido os dois se fundiram em câmera lenta. Como trilha sonora, um violoncelo, acompanhado de flauta. Close em lábios soprando. Detalhe de dedos roçando as teclas.Uma garganta hippie, em voz rouca entoava uma melancólica balada azul naquele entardecer.  Os dois rodopiaram lentamente, como se bailassem. A cidade se enfeitava de pôr-de-sol colorido. Os pássaros buscavam seus ninhos. Uma unha de lua começava a marcar o céu. Estrelas tímidas, aos poucos, cintilavam. Tudo conspirava a favor. Afinal, depois de tanto tempo, eles voltavam a se encontrar. Os pirilampos, um a um, iam acendendo suas lanternas mágicas. A vida readquiria um novo sentido. Eternizaram o momento com um beijo.

 

(José de Castro, 1983) 

 

 



Escrito por José de Castro às 10h50
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POEMA

CONSTATAÇÕES

 

O mundo nunca será inteiramente cinza

para quem o contemplar com os olhos azuis da imensidão.

 

Nenhuma noite será assim tão fria

para quem tiver o calor de uma paixão.

 

E a vida jamais será vazia

para aqueles que tiverem a poesia no coração.

 

(José de Castro, 1991)

Escrito por José de Castro às 23h52
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MEDITAÇÃO NOTURNA

A vida é assim mesmo, feita de pequenos e grandes momentos mágicos.

Olhe a imensidão da noite, e contemple a multidão de estrelas cintilando no céu.

Procure a fugacidade dos vaga-lumes que passeiam no escuro. Eles são breves e intensos.

Se a noite estiver recortada de postes e faróis, feche os olhos para ver melhor. Deixe a luz que vem de dentro te iluminar.

Em algum lugar distante, e ao mesmo tempo bem perto de você, está a plenitude.

O silêncio completo que diz tudo.

 

(José de Castro, Natal/RN, 1991)

Escrito por José de Castro às 23h44
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